Fonte de dados meteorológicos: wetterlang.de

Professor ganha mais ou menos que outras profissões no Brasil? Depende de onde você mora; veja lista

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É comum se dizer que professor ganha mal no Brasil e que a profissão é pouco valorizada na sociedade. Infelizmente, os resultados de aprendizagem da maioria das crianças nos impedem de desmentir essa afirmação. Mas será que isso é verdade em todos os Estados ou há nuances que precisam ser consideradas quando se olha para os dados mais de perto?

Um estudo divulgado na semana passada pelo Movimento Profissão Docente, que reúne entidades do terceiro setor da área de educação, mostra que há diferenças regionais. No Brasil, a boa notícia é que essa relação vem subindo desde 2012, mas atualmente o salário de um professor equivale a 86% da remuneração média dos outros profissionais com ensino superior. Já foi de 65%. Há, é claro, os extremos, como advogados, médicos e engenheiros, cujos salários médios passam dos R$ 10 mil — o dobro do que recebem os docentes.

Mas há Estados em que, mesmo sem os altos salários, o professor pode ser considerado parte da elite. Os dados do relatório mostram que, no Rio Grande do Norte, a remuneração média dos docentes que trabalham em escolas públicas equivale a 162% da das demais profissões com a mesma formação — a mais alta proporção registrada no País. Por lá, eles ganham R$ 8,8 mil de salário bruto médio, enquanto outros profissionais ficam com R$ 5,4 mil.

Pesquisas indicam o professor como o principal fator para melhorar a aprendizagem dos alunos
Pesquisas indicam o professor como o principal fator para melhorar a aprendizagem dos alunos

O Distrito Federal, por outro lado, tem a mais baixa proporção: os professores recebem em média R$ 6,5 mil, o equivalente a 69% do que ganha o restante dos profissionais com ensino superior.

Outros dez Estados chegam perto ou passam dos 100%, ou seja, pagam aos seus professores de escolas públicas valor equivalente ou superior ao recebido em outras profissões. Essa equiparação em todos os lugares era o objetivo do Plano Nacional de Educação para o distante ano de 2020. São eles: Amapá, Roraima, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Goiás, Bahia, Alagoas, Ceará, Acre — além do próprio Rio Grande do Norte.

Em São Paulo, o Estado mais rico da federação, essa relação era de 60% há mais de dez anos e hoje os professores ganham o equivalente a 79% dos salários de outras profissões com ensino superior.

Em todos os casos, os números são sobre professores de escolas públicas de cada Estado; considera-se então as redes estadual e municipais.

Um bom professor é o fator mais importante para se garantir a aprendizagem das crianças, evidenciam pesquisas nacionais e internacionais. Mais do que a renda dos pais, a infraestrutura da escola ou materiais adequados. E o salário por si só não é necessariamente determinante para a qualidade do profissional.

Mas sentir-se valorizado perante a sociedade e ter uma remuneração comparável à de profissionais de outras áreas ajuda a atrair os talentos para o magistério. Equiparar salários para demonstrar sua importância no desenvolvimento de cada cidadão e do País foi uma política adotada em nações que tiveram bons resultados recentes na educação, como Cingapura.

O Brasil ainda está longe desse patamar, mas os dados mostram que a realidade é mais diversa do que sugere o senso comum. Em alguns Estados, o professor já não está entre os profissionais mais mal pagos — algo que também reflete diferenças econômicas regionais. Onde há menos empregos qualificados no setor privado, a remuneração docente tende a parecer relativamente mais alta. Ainda assim, em lugares como Ceará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Alagoas, essa valorização também ajuda a entender os avanços recentes na aprendizagem das crianças.

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