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NOTÍCIAS EXTRAS

Começa nesta quarta-feira (17), na cidade de Ibirataia, na Bahia, um dos principais eventos que celebram a cultura ceramista do estado, o Festival Homens de Barro. 

Durante os próximos quatro dias, a cidade do interior baiano promove uma imersão em arte, cultura e identidade regional, por meio de exposições, oficinas, festival gastronômico, apresentações folclóricas, shows e experiências culturais.

O principal destaque do Festival são as mais de 90 peças feitas à mão, algumas de até 6 metros, conhecidas como Homens de Barro. Segundo a organização, esta é a maior instalação de esculturas em cerâmica das Américas e detém o título de Patrimônio Cultural da Bahia.

O Festival é promovido pelo Instituto Homens de Barro junto com um grupo de empresários, profissionais de cultura e artistas de Ibirataia e foi idealizado pela artista plástica e arte educadora Selma Calheira. E é ela que faz o convite ao público.

“Convidar as pessoas para vir para o festival. Vamos só fazer as oficinas, mas também no próprio dia 20 que é o dia da queima, onde a gente comemora a transformação do barro. Vem comemorar com a gente! Venham para a cidade dos homens de barro.”

Selma é natural de Ibirataia e retornou à cidade em 1989 após estudar design, trazendo consigo um olhar apurado para a arte, a natureza e as raízes culturais da região. Ela encontrou na argila, no ferro e nas fibras naturais a matéria-prima para suas obras. Inclusive, quem se inscreveu previamente poderá participar este ano do projeto inédito “Imersão Homens de Barro”.

Nela, os visitantes poderão ver o processo de criação das esculturas da ceramista, conhecendo as histórias, técnicas e botando a mão no barro. Além da imersão, está prevista a já tradicional Queima dos Homens de Barro, em um forno gigante.

Uma outra vivência para os participantes é a “Expedição Floresta de Chocolate”, que acontece no sábado (20). Nela, o público poderá ter a experiência da Cabruca, que é o sistema de plantio agroflorestal do Cacau: desde a semeadura, passando pela colheita do fruto até a fabricação do chocolate. 

No site homensdebarro.com.br é possível saber como participar de todos os eventos que compõem a programação, que segue até o dia 20 de setembro.

2:31


Emma Willis falou em um podcast que o marido, Bruce Willis, não sabe que tem demência.
Reprodução/YouTube/@CameronOaksRogers
O ator Bruce Willis não tem consciência de que foi diagnosticado com demência frontotemporal (FTD), segundo revelou sua esposa, Emma Heming Willis, em entrevista ao podcast “Conversations With Cam”. De acordo com ela, uma condição neurológica associada à doença impede que ele perceba as próprias limitações, algo que, para a família, traz certo alívio emocional.
Emma explicou que o fenômeno é conhecido como anosognosia, quando o cérebro perde a capacidade de reconhecer que está doente.
“Não é negação. É a doença agindo”, afirmou. “Bruce nunca percebeu, nunca ligou os pontos de que tem essa condição, e eu fico feliz por isso.”
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A demência frontotemporal é uma das formas mais comuns da doença em pessoas com menos de 60 anos e pode afetar linguagem, comportamento ou movimentos. No caso de Willis, o primeiro diagnóstico, no início de 2022, foi de afasia, um distúrbio de linguagem. Meses depois, os médicos confirmaram que o problema era, na verdade, um sintoma da FTD.
Segundo Emma, os sintomas surgiram de forma sutil. “A FTD sussurra, não grita”, disse. A dificuldade de comunicação foi um dos primeiros sinais percebidos pela família. Ela contou que, antes do diagnóstico correto, chegou a questionar se o comportamento do marido poderia estar ligado a questões emocionais ou até a problemas no relacionamento.
Durante a conversa com a apresentadora Cameron Oaks Rogers, Emma também falou sobre os desafios de ser cuidadora. Ela afirmou que precisou aprender a separar o marido da doença e a lidar com sentimentos como raiva, culpa e luto antecipado — o que especialistas chamam de “perda ambígua”, quando a pessoa está fisicamente presente, mas psicologicamente diferente de como era antes.
A esposa do ator tem usado a própria experiência para defender mais apoio a cuidadores e ampliar a conscientização sobre saúde cerebral. “Cuidadores se isolam, adoecem e muitas vezes não pedem ajuda”, afirmou. Hoje, ela participa de iniciativas voltadas ao tema e mantém projetos ligados ao bem-estar e à prevenção.
Bruce Willis, conhecido por papéis em filmes como “Duro de Matar” e “O Sexto Sentido”, se afastou da carreira após a família tornar público o diagnóstico. Desde então, parentes vêm compartilhando informações sobre a doença para ajudar outras pessoas que enfrentam a mesma situação.

O adestrador de animais José Éder Lisboa, de 64 anos, condenado pelos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro, morreu ontem, 27, na Argentina.

A informação foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro.

José Éder foi condenado em junho de 2024 a 14 anos e seis meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

Além da pena restritiva de liberdade, Lisboa também foi condenado a 1 ano e seis meses de detenção e o pagamento de 100 dias-multa no valor de R$ 43,4 mil.

José Éder Lisboa, de 64 anos, foi condenado a 14 anos e seis meses de prisão pelo STF;  Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro, informou que, nos últimos dias, o homem chegou a ficar internado
José Éder Lisboa, de 64 anos, foi condenado a 14 anos e seis meses de prisão pelo STF; Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro, informou que, nos últimos dias, o homem chegou a ficar internado

Ele também foi condenado a pagar uma indenização de danos morais coletivos de R$ 30 milhões que deverá ser dividido entre os demais condenados.

O adestrador de animais de São Carlos, interior de São Paulo, chegou a ser preso em flagrante no dia 8 de janeiro de 2023, dentro do Palácio do Planalto, em Brasília.

No interrogatório, Lisboa alegou que entrou no Palácio para se proteger de bombas e não participou de vandalismo.

Ele se tornou réu em maio de 2023 e, em agosto, foi solto sob a condição de seguir medidas cautelares. Após ser condenado, de acordo com publicação da associação nas redes sociais, ele deixou o Brasil e fugiu para a Argentina.

Ainda segundo a associação, nos últimos dias, Éder ficou doente e chegou a ficar internado por vários dias antes de morrer.

Condenação

O STF já condenou mais de 800 pessoas pelos atos de 8 de janeiro de 2023. As penas variam de 2 a 27 anos de prisão. A maioria dos condenados, 225, teve suas ações classificadas como graves.

Segundo um balanço do STF divulgado em janeiro, ao todo, 122 pessoas são consideradas foragidas. Segundo a Corte, em relação à metade delas já foram adotadas medidas para o pedido de extradição junto a autoridades estrangeiras.

Elas estavam sendo monitoradas por tornozeleira eletrônica e saíram do País após romperem o equipamento. Uma vez extraditadas, deverão passar a cumprir suas penas em regime fechado.

Extradição

O caso de José Éder Lisboa ocorre em meio a outras decisões envolvendo investigados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Na início do mês, a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina, composta por integrantes dos ministérios argentinos das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior, concedeu asilo a Joel Borges Correa, de 47 anos, condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão.

Em novembro de 2024, Correa foi preso na Argentina durante uma blitz na província de San Luis, enquanto seguia em direção à Cordilheira dos Andes

A extradição dele foi solicitada pela Justiça brasileira. Mas a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina concedeu refúgio a Correa.

Outros quatro brasileiros, com casos em que extradição foi determinada junto com Joel Borges, aguardam a decisão da comissão em prisão domiciliar, na Argentina. Eles recorreram da decisão judicial à Suprema Corte do país.


Como brasileiro criou ‘abelhas assassinas’ por acidente e revolucionou a apicultura
Acervo/SBPC
Ele foi engenheiro agrônomo, geneticista e entomologista, professor de cinco universidades brasileiras e quatro dos Estados Unidos, além de ter sido o primeiro diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), diretor do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) por duas vezes e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) por dois mandatos.
Como se não bastasse, por onde passou criou departamentos e formou novos pesquisadores, mas quando se fala em seu nome o que vem primeiro à mente de muita gente é um acidente ocorrido em 1957: a introdução das abelhas africanas – injustamente chamadas de “abelhas assassinas – no Brasil.
Não foi à toa, portanto, que durante muitos anos Warwick Estevam Kerr temesse que sua brilhante carreira ficasse marcada pelo episódio. Em uma entrevista para a revista Estudos Avançados, da Universidade de São Paulo (USP), publicada em 2005, ele chegou a dizer:
“Diante do erro cometido com as abelhas africanas, em 1957, eu não esperava que iria dar a volta por cima. Pensava que teria uma vida desgraçada para o resto dos meus dias. Até 1978, as mulheres franziam a testa, mostravam-me para os filhos e diziam: ‘aquele é o homem que introduziu a abelha brava no Brasil’.”
Mel começa com o ‘vômito’ das abelhas, pode durar alguns anos e tem tipos venenosos; ASSISTA VÍDEO:
De onde vem o que eu como: Mel
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O tempo, no entanto, lhe fez justiça. Nascido em Santana de Parnaíba, em 9 de setembro de 1922, Kerr se formou em Engenharia Agronômica, em 1945, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, na qual também fez doutorado e livre docência, e foi professor, de 1951 a 1955, e chefe do Departamento de Genética por quatro meses.
Em 1955, ele se mudou para Rio Claro, onde, a partir de 1958, foi chefe do Departamento de Biologia, da então recém-criada Universidade Estadual Paulista (Unesp). De 1962 a 1964 foi diretor científico da Fapesp, cargo ao qual renunciou um mês antes do término do seu mandato para criar e assumir a chefia, em 1965, do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, da qual se tornou professor titular por concurso em 1971.
Nessa época, foi presidente da SBPC por dois mandatos, 1969-1971 e 1972-1973, período em que teve muitos problemas com a ditadura, que governava o país. Foi preso duas vezes, em 1964 e 1969 e chegou a ter sua numerosa família, de sete filhos, ameaçada e sob vigilâncias dos agentes do governo.
Despois de se aposentar da USP, em janeiro de 1981, Kerr foi para o Maranhão, onde ficou por oito anos, período em que criou o Departamento de Genética da Universidade Federal de lá (UFMA) e foi reitor da universidade estadual (UEMA).
Depois, em 1972, mesmo aposentado aos 70 anos, ele foi convidado para dar aulas, orientar alunos de doutorado e continuar suas pesquisas na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na qual permaneceu até 2012. Nesse período, ele voltou a Manaus, em 1999, para novamente dirigir o Inpa por mais três anos.
Warwick faleceu aos 96 anos, em 15 de setembro de 2018
ARQUIVO PESSOAL / SBPC
Para o também engenheiro agrônomo Breno Magalhaes Freitas, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal do Ceará (UFC), a importância de Kerr para a ciência brasileira “foi enorme”.
“Ele foi um cientista pioneiro em muitas áreas e levou a ciência a todas as regiões desse país, tendo formado várias gerações de pesquisadores brasileiros diretamente e inspirado tantos outros”, diz.
“Junto com o padre Jesus Moure e o professor Paulo Nogueira-Neto, ele estabeleceu toda a base do conhecimento sobre as abelhas no Brasil.”
No que diz respeito à apicultura em si, Freitas lembra que Kerr ficou marcado pelo acidente com as abelhas africanas, mas que depois ficou claro não ter sido sua culpa.
“E felizmente, mesmo por linhas tortas, a apicultura brasileira acabou se beneficiando enormemente da sua iniciativa de trazer as abelhas africanas, coragem de encarar as consequências quando os problemas aconteceram, mesmo não tendo sido sua responsabilidade”, explica.
“Mas é preciso também ressaltar o seu grande trabalho com as abelhas sem ferrão, especialmente na região Norte do Brasil.”
As abelhas africanizadas foram criadas a partir do cruzamento entre as abelhas africanas e europeias
Getty Images
O ‘acidente com as abelhas’
O tão falado acidente com as abelhas africanas ocorreu um ano após ele ter voltado da África, para onde havia ido, em 1956, para estudar de perto a produção de mel naquele continente e, depois, aplicar seus novos conhecimentos na apicultura brasileira.
O objetivo era aumentar a produtividade e a resistência das abelhas europeias, que tinham sido introduzidas no Brasil, em 1839, mas que não haviam se adaptado muito bem ao país, com exceção das regiões Sul e Sudeste.
Na volta ao Brasil, como parte de sua bagagem, Kerr trouxe 51 rainhas – 50 da África do Sul e uma da Tanzânia – da espécie Apis mellifera scutellata, altamente produtiva, mas muito agressiva – ou defensiva, como preferem dizer os estudiosos das abelhas.
Elas deram origem a colmeias, que foram postas em quarentena em um bosque de eucalipto no campus de Rio Claro da Unesp, para que apenas as mais mansas fossem escolhidas.
Para evitar que as rainhas fugissem para a natureza e se espalhassem, as colmeias foram fechadas por uma malha, que permitia a passagem apenas das operárias, que são menores.
Um funcionário da equipe, imaginando que as abelhas estavam presas por engano, no entanto, retirou as malhas de algumas colmeias.
Resultado: 26 rainhas escaparam, cruzaram com as europeias e deram origem a enxames de abelhas africanizadas, que se espalharam, primeiro por São Paulo, e depois por todo o Brasil e que hoje estão pelas três Américas.
Sem predadores naturais no novo lar e muito agressivas, aonde chegavam e se instalavam “tocavam o terror”.
“De 1957 até 1964 essas abelhas cruzaram-se com as alemãs, italianas e portuguesas”, contou Kerr, na mesma entrevista para Estudos Avançados.
“Porém, houve um grande problema: os apicultores colocavam seus apiários próximos aos galinheiros, pocilgas, cocheiras. Houve mortes de galinhas, porcos, cavalos, e a mortalidade de gente que era 120 por ano passou para 180.”
A médica veterinária Débora Cristina Sampaio de Assis, do Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lembra que as abelhas se espalharam rapidamente pelo país e, por meio do cruzamento com abelhas europeias, deram origem às abelhas africanizadas.
“Inicialmente, elas trouxeram uma série de problemas, pois os apicultores não sabiam como trabalhar com elas, devido, principalmente, ao seu maior comportamento defensivo, quando comparado ao das europeias”, explica.
As abelhas africanizadas eram muito mais sensíveis a qualquer estímulo, além de atacarem em maior número e a distâncias mais longas da colmeia, sendo muito mais insistentes nos ataques que as abelhas europeias.
“Assim, por medo, muitos apicultores acabaram abandonando a atividade, pois não possuíam equipamentos adequados nem conhecimento técnico para realizar o manejo das abelhas africanizadas”, diz Débora.
E foi aí que surgiu o mito das “abelhas assassinas”. O medo, gerado pela falta de conhecimento e a repercussão dada pela imprensa aos acidentes, que ocorreram nesse período, fez com que as pessoas acreditassem que se tratavam de abelhas que poderiam atacar qualquer um e sem nenhum motivo, quando na verdade o que se tinha era uma resposta defensiva, para proteger a colônia.
“Ao se sentirem ameaçadas, as abelhas saíam das colmeias em grande número, ferroando as pessoas e animais, mesmo a longas distâncias, de 100 metros ou mais da colmeia”, diz Débora.
Os animais, quando estavam confinados, levavam centenas ou milhares de ferroadas e muitos acabavam morrendo.
Além disso, como as abelhas africanizadas produzem mais enxames por temporada quando comparadas às abelhas europeias, esse fenômeno se tornou muito mais frequente, assustando a população.
“Entretanto, apesar de parecer um evento impressionante para a maioria das pessoas, devido ao barulho e grande número de abelhas, sabe-se que durante a enxameação, as abelhas apresentam pouca tendência a ferroar”, diz Débora.
As vantagens
Mas não foi só morte e pânico que abelhas africanizadas causaram.
“Pensando na apicultura brasileira, a curto prazo houve um impacto negativo, com a desistência da atividade por parte da maioria dos apicultores”, conta Freitas.
“Mas a médio e longo prazo, tão logo se entendeu que essa abelha era diferente e não podia ser criada como a europeia, quando se estudou seu comportamento e se desenvolveram as indumentárias de proteção, fumigadores maiores, e se passou a criá-la afastada das pessoas e animais e, principalmente, adotadas técnicas de manejo específicas para esse animal, a apicultura brasileira deu grandes saltos.”
Por isso, segundo ele, hoje o Brasil é um grande produtor e exportador de mel de abelhas e própolis, coisa impensável naquela época.
“E isso ocorre apesar dos nossos apicultores não serem qualificados como deveriam, ainda com dificuldades de acesso à informação, equipamentos, crédito e comercialização justa para seus produtos”, acrescenta Freitas.
O próprio Kerr contou, na entrevista a Estudos Avançados, como se deu esse processo.
“O grupo de Ribeirão Preto (eu, Lionel Gonçalves, Antônio Carlos Stort, vários alunos, três técnicos e mais tarde David De Jong e Ademilson Espencer Soares) conseguiu desenvolver várias técnicas, algumas muito simples, para controlar a exploração econômica dessas abelhas”, disse.
“Como colocar os apiários longe das casas de moradia, dos galinheiros e cocheiras; depositar as colmeias em banquetas isoladas (ou em canos grossos de esgoto), usar fumigadores maiores, macacões, botas, por máscaras e luvas, sempre; fazer rainhas, escolher as colmeias mais produtivas, mais mansas, mais resistentes a ácaros e enfermidades. Porém, um avanço fundamental foi dado em 1965 e 1966 com a diminuição da agressividade das abelhas, o que era um grande problema.”
Cinco anos depois, o problema estava praticamente resolvido. Para isso, o grupo comprou vinte rainhas italianas dos Estados Unidos, mansas e de alta produtividade, fez enxertia e obteve 25 mil rainhas virgens, que foram introduzidas em 25 mil núcleos fortes, das quais 18 mil foram aceitas e produziram milhares de zangões italianos.
O Brasil é atualmente um grande produtor e exportador de mel de abelhas e própolis
GETTY IMAGES
“Logo os apicultores viram que não adiantava ter uma população mansa, como se tinha com as abelhas italianas, mas que fornecia uma reduzida produção de mel, duas a três vezes menos do que a africanizada”, declarou Kerr.
De acordo com ele, na entrevista, a baixa produção das europeias era causada por vários fatores, inclusive porque não resistiam a um ácaro muito grande, Varroa destructor, que provocava enorme estrago nas colmeias, ao ponto de baixar a produtividade da apicultura em dezenas de países.
Além disso, as africanizadas jogam fora as larvas doentes e mortas. As colmeias são mais limpas que as das europeias.
“A nossa produção normalizou-se porque os apicultores aprenderam a lidar com a abelha africanizada”, comemorou.
Há controvérsias sobre se o acidente poderia ou não ter sido evitado, mas é consenso de que não houve negligência. Para Freitas, a fuga das rainhas africanas poderia ter sido evitada, mas não houve falta de rigor no experimento.
“A ideia original não era de que as abelhas se soltassem nas matas, tanto que foram tomados cuidados de prevenção colocando telas protetoras nas colmeias”, diz.
“No entanto, não acredito em negligência. Apenas não puderam imaginar que alguém iria tirar essas telas, com a intenção de ajudar, achando que as abelhas estavam presas por engano. É preciso lembrar que aqueles eram outros tempos, e a maioria dos funcionários de fazendas eram pessoas simples, sem maiores instruções.”
Débora, por sua vez, lembra que realização de experimentos de campo não é tarefa simples. Há dificuldades para controlar todos os fatores que podem interferir nos resultados.
“Por isso, não se pode afirmar que houve negligência ou falta de rigor no experimento”, afirma.
“O fato é que as abelhas africanizadas se adaptaram muito mais facilmente ao ambiente que as abelhas europeias e, o que era para ter sido feito de forma controlada, acabou sendo feito pela própria natureza.”
O próprio Kerr, que morreu aos 96 anos, em 15 de setembro de 2018, na sua entrevista, diz que de 1979 em diante, tudo mudou.
“Passaram a tirar fotografias minhas e falavam: ‘esse é o homem que salvou nossa apicultura'”, contou.
“Por causa dele o papai comprou caminhão novo’. Enfim, durante 14 anos vivi uma tragédia com a introdução no Brasil das 50 rainhas da África do Sul e de uma da Tanzânia. Agora, minha mulher acha a história até engraçada e eu, como bom caipira de Santana de Parnaíba, digo ‘louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo’. E sempre fico frustrado, por não ter por perto meus caipiras amigos para tirarem o chapéu e dizerem: ‘E para sempre seja louvado, amém’.”
Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64329040

Quando as férias acabam e tudo o que fica parece ser uma lembrança distante, a rotina volta a todo vapor.
Leia mais (09/22/2025 – 10h30)

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