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Documentário expõe efeitos de redes e algoritmos nos adolescentes: ‘Conversa indigesta para os pais’

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Não só os impactos para a vida da influenciadora adolescente, mas para a seguidora de mesma idade. Não só a história trágica do menino ameaçado por meio das redes, mas daquele que pratica o cyberbullying. O documentário Anatomia do Post, que estreou esta semana na Globoplay, mostra como todos os jovens são afetados de alguma forma pela transformação digital que atravessa a adolescência e a parentalidade.

“O documentário é uma conversa indigesta e necessária para pais e mães”, diz o psicanalista e escritor Thiago Queiroz, que produz conteúdos sobre educação parental nas redes e foi um dos que viram a produção em primeira mão. “Boa parte desse lugar de fuga que virou as redes sociais é uma fuga por causa de um afastamento, de um vínculo que se enfraquece ao longo do tempo porque a rotina toma conta das nossas vidas e você acaba colocando o celular na mão da criança pra ela ficar quieta”, completa.

“É confortável ser negligente”, diz um dos pais retratados no documentário, que admite que nem sempre se esforçar para afastar os filhos, viciados em jogos, do celular. Em outra história, as câmeras acompanham a vida da adolescente influenciadora cuja mãe ganha vida gravando a menina a cada instante, na academia, na festa com os amigos, em procedimentos estéticos.

O documentário encontra também o outro lado do post – uma seguidora que passa grande parte do dia no TikTok, se distanciou da família e sofre com a autoestima extremamente abalada.

Melissa, de 15 anos, é uma das adolescentes retratadas no documentário
Melissa, de 15 anos, é uma das adolescentes retratadas no documentário

A diretora Eliane Scardovelli, também mãe de uma menina de 10 anos, conta que a intenção não era demonizar a tecnologia, mas, sim, propor o debate. “Será que não existe uma maneira mais saudável de usar o celular? Se a gente conseguir levar essa discussão para a mesa de jantar, fico muito feliz”, afirma.

Anatomia do Post, produzido durante um ano, foi lançado uma semana após a entrada em vigor do chamado ECA Digital, a nova legislação brasileira que protege crianças e adolescentes na internet.

E ainda no mesmo dia em que Meta e Youtube foram condenadas nos Estados Unidos; pela primeira vez, a Justiça reconheceu que as plataformas causaram vício a uma jovem e fizeram com que ela desenvolvesse problemas de saúde mental. A produção ouve também ex-funcionários das big techs que falam da inoperância das empresas para combater conteúdos nocivos porque isso invariavelmente levaria a um menor tempo dos usuários nas redes.

“Por meio dos grafismos, da trilha, do encadeamento de personagens e depoimentos com especialistas, fica estampado o mal que as redes sociais fazem às crianças e adolescentes”, diz o pediatra Daniel Becker, que também é um dos entrevistados da produção, mas que viu o resultado final só nesta semana. “Hoje o lugar mais perigoso do mundo não é uma avenida movimentada, cheia de gente. É o quarto”, afirma o médico no documentário.

Os irmãos Enzo e Luca também estão no documentário
Os irmãos Enzo e Luca também estão no documentário

Para a psicóloga Cecília Dassi, que também produz conteúdos sobre parentalidade nas redes sociais, os casos mostrados são chocantes, mas têm papel pedagógico importante. “Há documentários parecidos de fora do Brasil, mas é bom que tenha algo com pessoas falando português para dar um senso de proximidade”, diz.

Sem spoilers, as imagens finais de uma das personagens acabam mostrando que a luta para afastar os adolescentes dos riscos das redes sociais passa muito pelo vínculo entre pais e filhos. “É preciso criar um ambiente em que essas crianças percebam que estão sendo vistas, cuidadas, amparadas e têm com quem contar”, diz Cecília. “Isso faz com que elas não se tornem vulneráveis e acabem sendo vítimas nas redes.”

Segundo a TV Globo, Anatomia do Post já foi visto por cerca de 18 milhões de pessoas só nesta primeira semana. O documentário tem também Caio Cavechini como co-roteirista, coordenação de produção de Clarissa Cavalcanti e fotografia de Caue Angeli.

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