Pesquisadores, gestores, professores e estudantes se reuniram no IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP, em São Paulo, para discutir os desafios do ensino diante das mudanças tecnológicas, sociais e culturais que já impactam as salas de aula durante o IV Congresso Internacional de Educação Sesi-SP.
Promovido pela Faculdade Sesi de Educação e pelo Sesi-SP, o encontro, realizado nos dias 11 e 12 de maio, teve como tema “Educação que transforma” e combinou conferências internacionais, painéis e sessões temáticas voltadas a inovação pedagógica, preparação de professores, neurociência e protagonismo estudantil. A programação reuniu especialistas do Brasil e do exterior em debates sobre inteligência artificial, aprendizagem ativa, avaliação educacional e os impactos das tecnologias digitais no ambiente escolar.

A abertura do congresso ficou a cargo do futurista Peter Bishop, referência internacional em estudos sobre tendências e planejamento estratégico. Em sua conferência, ele defendeu que a formação de estudantes precisa desenvolver pensamento crítico, capacidade de adaptação e leitura das transformações sociais. “Não basta transformar o mundo por meio da educação. Precisamos transformar a própria educação”, afirmou.
Outro destaque da programação foi a participação de duas pesquisadoras, a belga Veerle Ponnet e a brasileira Ana Luiza Neiva Amaral, que dividiram discussões sobre neurociência aplicada ao ensino e à preparação de educadores. Na conferência, foram abordados temas como atenção, memória, emoções e metodologias ativas. “Todos os cérebros são únicos. O processo de aprendizado é aprimorado com os desafios, mas é preciso cuidado: se o desafio for muito grande, a gente acaba não enfrentando”, ressaltou Veerle.
O primeiro dia também contou com a entrega do Prêmio Sesi de Educação, que reconheceu iniciativas docentes ligadas a inclusão, diversidade, letramento midiático e inovação pedagógica.
Aprendizagem com sentido
No segundo dia, os debates aprofundaram questões relacionadas a avaliação educacional, qualidade do ensino público e capacitação de professores. Entre os destaques esteve a participação da educadora Maria Inês Fini, ex-presidente do Inep e uma das principais especialistas brasileiras em avaliação educacional.
Ao discutir os impactos das ferramentas digitais no ensino, Maria Inês reforçou a necessidade de recuperar o papel do professor como mediador da construção de conhecimento e da aprendizagem com sentido.
Informação não é conhecimento. Memória não é inteligência. Tecnologia não é pedagogia
Maria Inês Fini, ex-presidente do Inep
As mesas também abordaram aprendizagem ativa, escuta dos estudantes e os desafios de construir experiências capazes de gerar engajamento em um cenário de rápidas transformações sociais e tecnológicas. Em um dos painéis sobre formação docente, as educadoras Ruth Arce e Selma Garrido Pimenta defenderam maior aproximação entre teoria e prática na preparação de professores. “Desde o momento em que o professor entra na escola, ele toma decisões o tempo todo. Isso exige uma preparação sólida, reflexiva e conectada à realidade”, afirmou Arce.
Ao longo dos dois dias, o congresso aproximou pesquisa acadêmica, inovação e experiências aplicadas em sala de aula, reforçando a necessidade de modelos mais flexíveis, conectados às novas tecnologias e atentos às mudanças que já redefinem o papel da escola e dos professores. “Falar de uma educação que transforma é falar de uma educação que rompe barreiras, que amplia vozes, que reconhece trajetórias historicamente invisibilizadas e que, para tanto, constrói espaços de pesquisa, conhecimento e reflexão”, afirmou Daniele Nascimento, diretora da Faculdade Sesi de Educação.
Educação que transforma na prática
Tecnologia, IA e novas formas de aprender
Especialistas discutiram como inteligência artificial e metodologias ativas vêm mudando as formas de aprendizagem.
Cultura maker e soluções para desafios reais
No Sesi Makerthon, estudantes desenvolveram propostas ligadas a tecnologia, colaboração e resolução de problemas do cotidiano escolar.
Ciência, criatividade e iniciação científica
A Jornada STEAM reuniu projetos de estudantes dos 18 polos do Sesi-SP.
Pertencimento e participação estudantil
O Fórum das Juventudes apresentou propostas construídas por alunos das 137 escolas da rede Sesi-SP.