A premiação internacional World’s Best School Prizes, considerada a “Copa do Mundo das Escolas”, escolheu quatro escolas brasileiras entre os dez finalistas do prêmio. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela T4 Education, organização britânica responsável pelo reconhecimento, criado em 2022.
O prêmio, têm como objetivo, identificar boas práticas educacionais que impactam alunos e a sociedade, alinhadas aos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.
No Brasil, as quatro finalistas do prêmio são: uma escola indígena no coração da Amazônia, uma creche que aboliu as carteiras enfileiradas em Cuiabá, um polo científico no interior do Pará e uma escola pública na favela do Rio de Janeiro.
Os projetos são avaliados por uma academia de jurados com base nos seguintes critérios: colaboração, em que a escola atua como referência para outras instituições; impacto, em que haja provas documentadas que mostre que as iniciativas transformaram positivamente a vida dos estudantes e da comunidade local; e replicação, em que as práticas inovadoras sejam documentadas para que outras escolas possam reproduzi-las.
Ação ambiental
A Escola Baniwa Kalipana, localizada em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, disputa o prêmio de ‘Ação Ambiental’ por seu modelo de educação indígena contextualizada. Localizada no Território Indígena do Alto Rio Negro, a escola integra ao currículo nacional os saberes do sistema agrícola Káali, além de aulas realizadas em duas línguas e forte participação da comunidade.

O Kaáali conecta o cultivo da mandioca a conhecimentos ecológicos, memória, arte, espiritualidade, saúde e vida comunitária.
Entre os resultados alcançados estão projetos de sustentabilidade que beneficiaram dezenas de comunidades da região, incluindo sistemas de energia solar para abastecimento de água potável, iniciativas de segurança alimentar e programas de meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão).
Metodologia ‘Criancice’
Na categoria ‘Inovação’, o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, de Cuiabá, chama atenção pela metodologia ‘Criancice’: em vez de salas fixas, as crianças circulam por territórios temáticos de ciência, arte, literatura e tecnologia. A proposta da instituição, ligada à Fundação Fé e Alegria, também coloca a educação antirracista no centro desde a primeira infância.
A valorização da diversidade étnico-racial está presente em toda a proposta pedagógica, com materiais que representam a cultura afro-brasileira e indígena. O modelo tem contribuído para o fortalecimento da autonomia, da expressão emocional e das habilidades sociais dos estudantes, além de ampliar o envolvimento das famílias no processo educativo.

Na categoria ‘Superação de Adversidades’, duas brasileiras concorrem ao prêmio. No Pará, o Centro Educacional Primeiro Mundo, em Canaã dos Carajás, transformou uma cidade do interior amazônico em um polo de excelência acadêmica. A escola conecta estudantes de diferentes origens sociais, econômicas e culturais, todos de uma região remota, a oportunidades acadêmicas, científicas e tecnológicas normalmente disponíveis apenas nos grandes centros urbanos.
Com cerca de 4 mil alunos – incluindo indígenas Kayapó e estudantes neurodivergentes -, a escola acumula mais de mil medalhas em olimpíadas nacionais e internacionais nos últimos três anos.

Já no Rio de Janeiro, a Escola Municipal GET IV Centenário opera dentro do Complexo da Maré sob uma metodologia chamada ‘Fábrica de Sonhos’, que usa robótica, realidade virtual e impressão 3D para estimular a criatividade dos alunos. A metodologia é baseada em segurança emocional, protagonismo estudantil, criatividade e inovação.
A proposta inclui atividades voltadas ao desenvolvimento socioemocional e à construção de projetos de vida, além de forte participação das famílias na rotina escolar e resolução de problemas reais da comunidade.
Apesar de estar em um territórios bastante afetado pela violência urbana da cidade, a escola registra evasão zero, frequência acima de 90% e taxa de alfabetização de 97%.

O Brasil participa de três, mas o prêmio conta com cinco categorias:
- Colaboração com a Comunidade: em que há um engajamento entre pais, moradores e a escola para o fortalecimento mútuo;
- Ação Ambiental: são analisados projetos de conscientização ecológica, sustentabilidade e proteção ambiental;
- Inovação: é avaliado o uso de novas ideias, métodos de ensino ou tecnologias para criar ambientes educacionais inclusivo;
- Superação de Adversidades: quando é observado a capacidade de contornar desafios severos (como falta de recursos ou crises) garantindo o aprendizado;
- Promoção de Vidas Saudáveis: em que há a promoção da saúde física, mental e bem-estar geral da comunidade escolar.
Os três finalistas de cada categoria e os vencedores serão anunciados em novembro de 2026. Além disso, as 50 escolas finalistas participarão de uma votação pública para definir a vencedora do prêmio Community Choice Award (Escolha da Comunidade).
As escolas vencedoras e finalistas serão convidadas para participar do World Schools Summit, que acontecerá em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027. O evento reunirá educadores, formuladores de políticas públicas e lideranças do setor educacional para compartilhar experiências e boas práticas.
Para Vikas Pota, fundador da T4 Education e do World’s Best School Prizes, as instituições demonstram que as escolas brasileiras estão entre as melhores do mundo:
“Cada uma delas, à sua maneira, está preparando crianças e jovens para um mundo cada vez mais complexo e incerto. Em suas salas de aula, mostram diariamente o que funciona na educação. São exemplos dos quais governos e escolas de todo o mundo podem aprender”, avalia.