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Cotas na Unicamp: como são os novos concursos exclusivos para professores negros

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) abriu inscrições para os primeiros concursos públicos para professor exclusivos para candidatos pretos e pardos. A iniciativa faz parte de projeto-piloto de inclusão racial de docentes aprovado pelo Conselho Universitário, órgão máximo da instituição, em 2024.

A medida instituiu a cota racial para cada uma das 24 unidades de ensino, pesquisa e extensão da Unicamp na carreira do magistério superior, e corresponde a 20% do total de cargos. A medida acompanha tendência de criar ações afirmativas para ingresso na carreira docente já adotada pelas universidades federais, na USP e, mais recentemente, na Unesp.

Defensores desse modelo afirmam que a diversidade melhora o ambiente acadêmico e a pesquisa, ao trazer mais olhares e objetos de estudo para a universidade. Os críticos das ações afirmativas, por sua vez, acreditam que as cotas contrariam a meritocracia e ameaçam a qualidade das instituições.

Na época da aprovação, o então reitor da Unicamp, Antonio Meirelles, destacou que o impacto das ações de inclusão é uma mudança de rota significativa no ambiente acadêmico e na sociedade.

“Precisamos iniciar uma trajetória de integração das pessoas. E cabe a nós, que já fomos incluídos há muito tempo, sermos os portadores dessa inclusão”, apontou.

Unicamp adota modelo de reserva de vagas diferente de outras instituições
Unicamp adota modelo de reserva de vagas diferente de outras instituições

Diferentemente do modelo tradicional de cotas em concursos públicos, em que parte das vagas de uma seleção aberta a todos é reservada para determinados grupos, a política da Unicamp prevê concursos exclusivos para candidatos pretos e pardos.

Na deliberação, a universidade justificou a medida afirmando que os concursos para professor costumam ser abertos com apenas uma vaga, o que dificultaria a aplicação do sistema convencional de reserva de vagas.

As inscrições foram abertas para as cinco primeiras vagas na:

  • Faculdade de Educação
  • Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo
  • Faculdade de Engenharia Química
  • Faculdade de Ciências Aplicadas
  • Faculdade de Enfermagem

Além do trâmite normal de análise de currículo e formação acadêmica, o programa define que os candidatos deverão apresentar autodeclaração étnico-racial e passar por procedimento de heteroidentificação para confirmação da condição declarada.

O programa tem caráter de experiência. A deliberação prevê que o Conselho Universitário realize uma avaliação dos resultados após dois anos da publicação da norma.

Para acompanhar a implementação, será criada uma comissão composta por docentes representantes das grandes áreas do conhecimento e por um representante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab).

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