Essa é uma frase do Mark Anderson, em um livro clássico sobre planejamento de carreira.
A ideia central dele é provocativa: qualquer tentativa de desenhar onde você estará daqui a 10 anos tende a ser pouco útil, porque o mundo muda rápido demais e essa velocidade só aumenta.
Então, em vez de tentar prever o futuro, a recomendação é outra:
desenvolver habilidades valiosas, manter-se aberto a oportunidades e estar pronto para mudar de direção quando algo melhor surgir.
Agora, isso parece contraditório com o que muitos de nós fazemos especialmente em programas de MBA, onde é comum construir um plano de carreira de curto e longo prazo (geralmente pensando em 10 anos).
Mas eu não vejo como contradição.
Planejar não é se prender a um destino fixo.
É criar uma direção inicial e, ao mesmo tempo, desenvolver flexibilidade para ajustar essa rota conforme novas oportunidades aparecem.
E, na prática, essas oportunidades raramente chegam de forma planejada.
Muitas vezes vêm de onde menos se espera:
uma conversa casual que vira um projeto, um colega que sai da empresa e abre espaço para você assumir algo novo, uma chance que surge e traz visibilidade.
Pessoas com crescimento acelerado costumam ter um padrão claro: dizem “sim” para oportunidades mesmo sem saber exatamente como vão dar conta delas.
E para isso, existe um ponto essencial: estar preparado.
Isso significa desenvolver um conjunto de habilidades transferíveis, capacidade técnica, raciocínio analítico, vendas, persuasão, liderança, finanças.
A parte técnica continua importante, inclusive com IA.
Mas a habilidade de fazer boas perguntas, interpretar contexto e se relacionar bem com pessoas segue sendo decisiva.
Outro ponto importante: estar perto de onde a ação está acontecendo.
Isso significa olhar para setores em crescimento, empresas que estão inovando, ambientes dinâmicos em vez de áreas estagnadas.
Claro, empresas e setores podem se reinventar. Mas a lógica geral continua válida: é mais provável crescer onde há expansão.
Se eu tivesse que resumir tudo isso em uma ideia, seria:
desenvolver habilidades transferíveis, manter-se aberto e alerta às oportunidades, e ter flexibilidade para mudar quando fizer sentido.
E aqui fica a pergunta: você acredita que planejar demais a carreira ajuda… ou pode acabar limitando as suas oportunidades?