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Fapesp deve revogar corte de bolsas para pesquisa no exterior após polêmica

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Após polêmica em torno das novas regras para concessão de bolsas de pesquisa no exterior, o Estadão apurou que o conselho superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) deve revogar o edital para reavaliar a proposta. Isso quer dizer que elas não devem entrar em vigor neste momento. Segundos fontes, a mudança não havia sido submetida ainda pela diretoria aos conselheiros, o que não é de praxe na fundação, e vazou para comunidade científica antes dessa avaliação.

Na semana passada, a Fapesp publicou em seu site que, a partir de 1.º de setembro, as Bolsas de Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) passariam a ser destinadas somente para alunos do doutorado direto, doutorado e pós-doutorado, e mais não para as outras modalidades. A nova regra não mais permitia bolsas para estudantes de iniciação científica e mestrado fora do País. Também estava prevista uma redução no tempo de estágio para os doutorandos, de 12 meses para 6 meses.

Procurada pela reportagem desde a semana passada, a fundação ainda não comentou. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o diretor científico da Fapesp, Marcio de Castro Silva Filho, foi o responsável pelas proposta de mudança. Entidades ligadas a pesquisadores e que representam alunos pediram a suspensão imediata das novas regras.

Em campanha para reeleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo apurou o Estadão, foi surpreendido com a notícia e não gostou da polêmica. Neste fim de semana, ele foi questionado em visita a uma barragem em Amparo.

“O que a gente fez quando ficou sabendo? Entramos em contato com a Fapesp: ‘Olha isso não faz sentido, vocês estão com bastante dinheiro em caixa, estão com os repasses integrais, está tudo funcionando direitinho, por que fazer esse movimento?’ E a Fapesp vai rever”, afirmou o governador à imprensa. “Não vai haver corte nenhum de bolsa da Fapesp.”

O governo também não gostou que o edital com as novas regras foi divulgado sem passar pela análise do conselho. Ele deve ser revogado.

Fapesp é um dos principais órgãos de fomento à pesquisa do País
Fapesp é um dos principais órgãos de fomento à pesquisa do País

Um dos principais órgãos de fomento à pesquisa do País, a Fapesp tradicionalmente paga bolsas mais altas para os pesquisadores do que as agências federais, como a Capes e o CNPq. Segundo especialistas, um dos motivos para a baixa atratividade da carreira científica é a remuneração dos pesquisadores. As BEPEs chegam a pagar R$ 11 mil, dependendo do país de destino dos alunos, além de auxílio para passagens e moradia.

A Fapesp, em geral, destina cerca de um terço de seus recursos para pagamentos de bolsas e os outros dois terços para apoio às pesquisas. Segundo o Estadão apurou, porém, o financiamento para bolsas passa atualmente dos 50%, o que fez com que a diretoria reavaliasse quais benefícios deveriam continuar sendo concedidos.

O argumento seria o de que é mais proveitoso para a pesquisa oferecer bolsas de doutorado do que de mestrado no exterior porque os orientadores dos dois países trabalham em conjunto. Já o mestrado costuma durar dois anos e a diretoria tem considerado que seis meses de período fora – a chamada bolsa-sanduiche – não são tão eficientes.

De qualquer forma, os novos critérios passarão agora pelo conselho superior que, dos 12 membros, seis são indicados pelo governador.

O presidente do conselho é o ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP) Marco Antonio Zago e o vice é o ex-secretário executivo da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo Carmino Antonio de Souza. Fazem parte ainda outro ex-reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, e o ex-secretário da Educação Herman Voorwald.

Tarcísio ainda indicou dois empresários para o grupo, o CEO da Comgás, Felipe Ferreira Guimarães Figueiredo, e o presidente do Conselho de Sócios do Grupo Jacto, Franklim Shunjiro Nishimura.

Também integram o conselho Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, Thelma Krug, pesquisadora do Inpe; Lucia Helena Mascaro Sales, Vice-Presidente da International Society of Electrochemistry; Marcílio Alves, professor da Escola Politécnica, e a ex-vice reitora da USP Maria Arminda do Nascimento Arruda.

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