‘Essa Tal de Adolescência’: série mergulha na etapa mais conturbada entre pais e filhos
A impulsividade, as emoções intensas e a busca por pertencimento que marcam a adolescência têm explicações que vão além das mudanças hormonais. Exames de ressonância magnética mostram que o cérebro dos adolescentes ainda está em processo de amadurecimento, especialmente nas áreas responsáveis pela tomada de decisões e pelo controle dos impulsos.
Na série sobre adolescência, a neurocientista Fernanda Tovar Moll explica que, nessa fase da vida, existe um descompasso entre diferentes regiões cerebrais. Enquanto estruturas ligadas às emoções e ao sistema de recompensa já estão bastante desenvolvidas, o córtex pré-frontal, associado à razão, ao planejamento e à avaliação de consequências, ainda não atingiu sua maturidade completa.
“Na adolescência, essa região relacionada às emoções já está bastante madura”, afirma a especialista. Já o córtex pré-frontal continua em desenvolvimento, o que ajuda a explicar comportamentos impulsivos e a tendência a correr mais riscos nessa fase.
Para demonstrar essas diferenças, a pesquisadora comparou exames de ressonância magnética de uma adulta e de uma jovem de 18 anos. As imagens mostraram conexões cerebrais mais intensas e consolidadas no cérebro adulto. Segundo a neurocientista, quanto mais fortes essas conexões, maior o grau de amadurecimento cerebral.
Os exames utilizam sequências avançadas de ressonância magnética capazes de analisar tanto a estrutura quanto o funcionamento do cérebro. Nas imagens apresentadas, regiões cerebrais semelhantes aparecem em ambos os cérebros, mas com diferentes níveis de conectividade.
De acordo com Fernanda Tovar Moll, o processo de maturação cerebral se estende por muitos anos. “O nosso cérebro se amadurece até ali aos 25, 27 anos”, explica.
A fase também é marcada pela chamada plasticidade cerebral, capacidade que o cérebro tem de modificar suas conexões e se adaptar às experiências vividas. Essa característica faz da adolescência um período de intensa transformação, não apenas física e emocional, mas também neurológica.
Para especialistas, compreender essas mudanças ajuda pais e responsáveis a lidar melhor com os desafios do período. A psicopedagoga e terapeuta parental Cláudia compara o papel dos adultos ao de um “empréstimo” do córtex pré-frontal. “A gente precisa orientar mil vezes”, afirma, destacando a importância da supervisão gradual à medida que os adolescentes conquistam mais autonomia.
As descobertas reforçam que muitas atitudes típicas da adolescência não são apenas uma questão de comportamento, mas refletem um cérebro ainda em construção, em busca de equilíbrio entre emoção, impulsividade e capacidade de avaliar consequências.
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O que muda no cérebro entre a adolescência e a vida adulta? Exames mostram diferenças
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