Fonte de dados meteorológicos: wetterlang.de

China e outros países asiáticos proíbem aula extra para reduzir pressão sobre alunos – faz sentido?

PUBLICIDADE

china-e-outros-paises-asiaticos-proibem-aula-extra-para-reduzir-pressao-sobre-alunos-–-faz-sentido?

Países asiáticos, conhecidos por incentivarem crianças a passar horas e horas estudando, inclusive à noite e durante fins de semana, começaram a proibir aulas extracurriculares. Seguindo a China, o Vietnã lançou recentemente uma ofensiva contra os estudos fora do período regular de aula. E como? Impedindo que se ganhe dinheiro dando aulas particulares – sejam os próprios professores ou as escolas de reforço.

Já a Coreia do Sul proibiu que essas instituições funcionem depois das 22 horas, um horário bem comum por lá. Em Cingapura, embora não haja restrição legal, o incentivo a menor pressão acadêmica e maior valorização do bem-estar dos alunos é crescente.

Medidas extremas desse tipo limitam a livre iniciativa do mercado e são de adoção mais complexa em democracias liberais. Mas chama a atenção quando países que dominam o topo do ranking de desempenho em avaliações de educação internacionais tiram o pé do freio.

Vietnã proibiu ganho de dinheiro com aulas particulares
Vietnã proibiu ganho de dinheiro com aulas particulares

Inúmeras pesquisas têm mostrado a importância do descanso, da pausa, da regulação emocional para o desenvolvimento integral da criança e do adolescente – além dos efeitos positivos na aprendizagem. Nos países asiáticos, é comum que os alunos estudem até 12 horas seguidas e durante as madrugadas em períodos regulares de aulas ou para vestibulares.

Continuam sendo autorizadas, no entanto, as aulas de reforço dentro das escolas para estudantes com defasagem de aprendizagem ou questões específicas em alguma disciplina. Também não foram proibidas aulas de música, artes ou esportes.

Lá e aqui do outro lado do planeta, as medidas podem ser vistas como um recado direto para pais e mães, responsáveis por financiar os tais cursos extras: se todos reduzirem as pressões, talvez ninguém precise sentir que seu filho ou filha está ficando para trás.

Esse é o argumento também de alguns pesquisadores que estudam a parentalidade atual. O economista italiano e professor da Universidade de Yale Fabrizio Zilibotti argumenta que o aumento da desigualdade nas últimas décadas tornou a forma de criar os filhos “mais intensa”, ou seja, carregada de superproteção e que “empurra as crianças para se tornarem realizadoras precoces”.

Ele diz que o excesso de atividades acadêmicas que as famílias organizam para os filhos é visto como uma forma de prepará-los melhor para um futuro competitivo. Mas rotinas tão cheias que exigem planilhas diárias, na verdade, minam a construção da independência e da autonomia, reduzindo drasticamente o precioso tempo dedicado às próprias escolhas e aptidões.

Em tempos de inteligência artificial e informações a um clique de celular, o melhor que os pais podem fazer é incentivar em seus filhos as características que os fazem humanos. Diminuir o ritmo de crianças e adolescentes é uma prova de amor, garante que seus filhos cresçam felizes e saudáveis. Mas mais do que isso: é fácil saber quem vai ganhar no futuro se a escolha na educação for estudar sem descanso e acumular conteúdos, tentando competir com as máquinas.

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima