Um estudo divulgado pelo Movimento Profissão Docente na semana passada analisou os salários iniciais dos professores em 2025 em todas as unidades da federação.
Um professor no Brasil, sem contar as gratificações e prêmios, começa sua carreira ganhando uma média de R$ 6,2 mil, o que corresponde a 4 salários mínimos e está bem acima do piso estipulado por lei no ano passado, de R$ 4.868.
Segundo o estudo, são cinco os Estados em que salário inicial de professor supera R$ 7 mil:
- Mato Grosso do Sul: 13.007,12
- Maranhão: 8.452,03
- Pará: 8.289,86
- Roraima: 7.700,47
- Mato Grosso: 7.343,44
Segundo os organizadores do estudo, antes de serem publicados, os dados foram enviados para todos os Estados e para o Distrito Federal para serem validados e eventuais ajustes foram feitos.
Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) afirmou que “comparações descontextualizadas entre unidades federativas, sem considerar especificidades fiscais, jurídicas e administrativas, não contribuem para o fortalecimento da educação pública.”
Estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) com apoio do Instituto Península mostrou que, no Brasil, o professor é responsável por quase 60% do resultado dos alunos no ensino fundamental.
Isso quer dizer que ele é mais relevante que todas as outras variáveis da escola pública somadas, como número de alunos por turma, escolaridade dos pais, se há ou não internet e até o partido do prefeito.
Piso salarial
O mecanismo atual determina que o piso salarial dos professores seja reajustado em janeiro com o mesmo porcentual de crescimento do valor anual mínimo investido por aluno no Fundeb, principal fundo de custeio da educação.
O fundo é o principal mecanismo de financiamento da educação no País e funciona como uma cesta de impostos, redividida conforme o número de estudantes em cada cidade ou Estado. Se a economia cresce e há mais arrecadação, esse valor total aumenta.
Segundo o relatório, entre 2009, quando foi criado, e o ano passado, o valor do piso teve reajuste total de 412,4% – de R$ 950 para R$ 4.868.
O processo vem sendo questionado por especialistas, entidades de classe e pelo Ministério da Educação. O governo editou uma medida provisória este ano para que o piso fosse reajustado pela inflação e, em 2026, ele cresceu 5%, ficando em R$ 5.130,63.
A previsibilidade maior dos reajustes também ajuda na organização dos orçamentos estaduais e municipais, já que todos devem seguir o piso. A discussão para mudar a Lei do Piso definitivamente ainda está em discussão no Congresso.