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Nota do Enem também pode ser usada para estudar no exterior

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A nota do Enem é também uma opção para pleitear uma vaga no ensino superior em instituições fora do Brasil. A perspectiva mais clara envolve o acordo de cooperação que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação, estabeleceu com diversas universidades portuguesas.

Iniciada em 2014, com apenas duas universidades, a parceria envolve hoje 26 instituições – a exemplo do que ocorre no Brasil, cada uma delas define as regras e os pesos para uso da nota do Enem. Um ponto que precisa ser verificado pelos candidatos são as especificações da legislação brasileira sobre a revalidação de diplomas e o exercício profissional no Brasil dos estudantes formados em Portugal na área escolhida.

Importante ressaltar, também, que “ensino público” em Portugal não é sinônimo de “ensino gratuito”. As instituições públicas de ensino superior em Portugal, que reúnem cerca de 80% do total de matrículas no país, cobram taxas como forma de coparticipação nos custos. Os acordos com o Inep não preveem transferência de recursos nem financiamento estudantil pelo governo brasileiro.

Em universidades de outros países, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Irlanda e França, a nota no Enem pode ser considerada como um critério adicional de avaliação – sem substituir, no entanto, o processo convencional de seleção adotado em cada uma delas. Uma das vantagens das instituições portuguesas é a dispensa de comprovação de proficiência em inglês (ou em outros idiomas, como o francês, exigido pelas universidades da França).

Vale lembrar, ainda, que há mais uma possibilidade em aberto para uso da nota no Enem: a inscrição no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), do Ministério da Educação, exclusivo para candidatos com renda familiar de até três salários-mínimos por pessoa. Além do critério de renda, só pode disputar uma das vagas nas instituições privadas que participam do programa quem obteve nota mínima de 450 pontos e acima de zero na redação do Enem.

Padronização dos critérios

Criado em 1998, o Enem atraiu 4,8 milhões de inscrições na edição de 2025, que teve as provas aplicadas em 9 e 16 de novembro – dois domingos consecutivos. A participação foi 10% superior à do ano anterior. Do total de inscritos, apenas 37,7% estavam cursando o último ano do Ensino Médio: os demais já haviam concluído o Ensino Médio, estavam cursando o Ensino Médio em anos anteriores ao último ou não estavam cursando nem haviam concluído o Ensino Médio.

Os participantes fazem provas de quatro áreas de conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias. Ao todo, são 180 questões objetivas, mais a redação, que exige o desenvolvimento de um texto dissertativo-argumentativo a partir de uma situação-problema.

“O Enem não foi criado para ser um processo seletivo, e sim para avaliar o desempenho geral dos estudantes, mas foi ganhando muita credibilidade com o tempo”, observa o orientador educacional Paulo Edison de Oliveira.

Um dos grandes avanços proporcionados pelo Enem como critério de ingresso no ensino superior foi a padronização da avaliação, o que viabilizou a nacionalização das vagas – os participantes podem se inscrever em instituições de qualquer parte do País.

A participação do Enem como forma de acesso ao ensino superior cresceu substancialmente no último ano – de 18,2% para 29,3% dos ingressos nesse nível de ensino, de acordo com os dados da edição mais recente do Censo da Educação Superior. Em contrapartida, os ingressos por vestibular caíram de 69,1% para 51,2%, enquanto os ingressos por outras formas subiram de 12,7% para 19,5%.

“Para as universidades, é bom ter o Enem como critério de ingresso, pois se trata de um exame confiável, respeitado e que faz uma avaliação ampla, além de proporcionar redução de custos em relação a um processo seletivo próprio”, diz Katia Stocco Smole, do Instituto Reúna. Para os estudantes também há um grande benefício, ela acrescenta: escapar da necessidade de fazer várias provas para focar em apenas uma.

Mercado de trabalho

Nota do Enem tem sido cada vez mais levada em conta por recrutadores como critério de seleção para empregos, especialmente nos casos de jovens ainda sem experiência

Além de abrir as portas do ensino superior, a nota do Enem tem sido cada vez mais levada em conta por recrutadores como critério de seleção para empregos, especialmente nos casos de jovens ainda sem experiência. Afinal, trata-se de uma síntese do desempenho escolar e da qualidade das instituições de ensino frequentadas pelo candidato.

Quem obtém uma boa nota no Enem ganha um trunfo relevante para buscar uma vaga promissora no mercado. A dificuldade é identificar onde estão os melhores empregos em um cenário marcado por transformações constantes e profundas, decorrentes de fenômenos como avanços tecnológicos, demandas ambientais e instabilidade econômica e geopolítica.

Essa temática vem sendo acompanhada, ao longo dos últimos dez anos, pelo relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial. Uma das conclusões mais espantosas é que 23% dos empregos atuais passarão por transformações significativas até o final do ano que vem, 2027 – algo que se aplica, sobretudo, às funções que podem ser mais facilmente substituídas por automação ou inteligência artificial.

Mais importante ainda do que apostar em um emprego que parece promissor é demonstrar capacidade de adaptação e desenvolver um tripé cada vez mais visto como essencial: aprendizado contínuo, pensamento crítico e habilidades socioemocionais. No mercado do futuro, as chamadas soft skills, a exemplo de resiliência, agilidade, criatividade, empatia e curiosidade, serão mais valorizadas que diplomas vistosos.

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