Quem nunca ouviu esse conselho de carreira?
E eu nem acho que ele seja um conselho ruim.
Mas, pela minha experiência, ele costuma gerar mais ansiedade do que ajudar de fato a encontrar algo.
Porque a pergunta que vem logo em seguida quase nunca é respondida:
“Tá… mas o que é que eu amo?”
Aí a pessoa trava.
Ou porque gosta de muita coisa, ou porque sente que não ama nada que, aparentemente, pague as contas.
No fim, ela fica mais perdida do que antes de ouvir esse conselho.
Esses dias eu estava lendo um texto do Paul Graham e ele traz uma reflexão que fez muito sentido pra mim.
Ele diz que esse conselho acaba aprisionando muita gente porque passa a impressão de que existe uma paixão pronta, esperando para ser encontrada. Como se a gente só pudesse começar depois de descobrir qual é ela.
Só que talvez funcione exatamente ao contrário.
Você não descobre uma paixão sentado pensando:
“Qual é a minha paixão? Qual é a minha paixão? Qual é a minha paixão?”
Você descobre fazendo, experimentando, aprendendo, errando e ficando bom em alguma coisa.
E, nesse processo, percebe o que desperta sua curiosidade e faz sentido para você.
Mas existe um outro ponto que eu acho tão importante quanto esse.
Muitas vezes, a gente escolhe uma carreira não porque ela faz sentido para nós, mas porque ela parece fazer sentido para os outros.
Pelo status, pelo nome no currículo, pela aprovação da família ou pelo reconhecimento que ela traz.
Só que quem vai viver essa carreira é você.
Quem vai dedicar 10 ou 12 horas do dia ao trabalho é você.
As pessoas que admiram o seu currículo não vivem a rotina que existe por trás dele.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “o que eu amo fazer?”, mas também:
“Que tipo de trabalho desperta a minha curiosidade, me dá vontade de aprender mais e me energiza?”
Porque é muito mais fácil construir uma paixão quando você escolhe um caminho que faz sentido para você e não apenas um caminho que impressiona os outros.
Mas tem um detalhe que, pra mim, é tão importante quanto esse.
Mesmo quando você encontra algo que ama fazer, isso não significa que todos os dias serão incríveis.
Nenhuma profissão é um mar de rosas.
Sempre vai ter burocracia, pressão, tarefas repetitivas e dias em que você simplesmente não está com vontade.
Fazer o que você ama não elimina os contras.
Só faz com que eles façam mais sentido.
A paixão não precisa ser o ponto de partida, ela pode ser construída ao longo do caminho.
E talvez uma pergunta melhor do que “o que eu amo fazer?” seja:
“O que eu tenho curiosidade suficiente para começar, aprender e continuar, mesmo quando deixar de ser divertido?”
Porque toda profissão tem seus prós e contras.
A diferença é encontrar uma que faça você pensar, na maior parte dos dias:
“Mesmo com tudo isso, ainda vale a pena.”