Bernardo Vinício Manfredini tem 12 anos e acaba de ser aprovado no curso de Matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), uma das melhores do País. O garoto coleciona mais de 80 medalhas ganhas em competições científicas e acadêmicas, mas é modesto: “Aprendo as coisas de matemática rápido, mas não acho que sou gênio, não”, diz o adolescente.
“Percebi que adorava números e Matemática em geral desde bem pequenininho”, contou o menino, que mora com a família em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos fluminense. “Com 2 ou 3 anos, já conseguia identificar coisas básicas, como os números das casas que iam crescendo ou diminuindo, ou quantidades pequenas.”

Quando completou quatro anos, Bernardo foi identificado com altas habilidades/superdotação.
“Foi um divisor de águas nas nossas vidas, pois passamos a entender que ele e o irmão têm uma maneira de entender o mundo que é um pouco fora da curva; aprendem algumas coisas com mais rapidez”, contou Luzia Manfredini, mãe de Bernardo e Davi.
Desde essa época, ele já demonstrava uma aptidão especial pelos números. Mas não só. Como foi criado de forma bilíngue – a mãe é professora de Inglês e, nessa época, a família morava na Costa Rica – já resolvia palavras cruzadas na língua estrangeira
“Ele tem uma curiosidade enorme pelo mundo, não só por Matemática, e tende a procurar conteúdos”, afirmou Luzia, que se preocupa com o volume de atividades do filho. “Ele quer participar de muita coisa e ainda precisa entender que não pode tentar dar conta do mundo. A mim, cabe podar algumas coisas, tentar achar espaço também para atividade física e lazer que não seja só em eletrônicos.”
A decisão de prestar vestibular para a Uerj veio, justamente, por conta dessa enorme curiosidade. Ele começou a perguntar para a mãe vários detalhes sobre o vestibular, desde o tipo de pergunta que poderia cair nas provas até o comportamento dos fiscais de sala.
Luzia sugeriu então que ele prestasse a prova do processo seletivo apenas a título de curiosidade. Ela disse até para o filho que ele poderia deixar a prova em branco se quisesse.
A escolha pela Matemática foi natural, uma vez que é a sua matéria favorita e a área que estuda conteúdos mais avançados para competições. Ele já participou de mais de 100 provas de alto nível e conquistou cerca de 80 medalhas – a maioria de Matemática, mas também de Ciências, Química, Astronomia, Física e até Nanotecnologia. O irmão segue o mesmo caminho.
“Eu me interessei em saber como era o vestibular mesmo, em saber como eram as questões objetivas e dissertativas, a sala e o ambiente com fiscal”, contou Bernardo. “Comecei a fazer várias perguntas para minha mãe sobre tudo isso e ela perguntou se eu queria ir participar e ver como funciona tudo na prática. Achei uma boa ideia.”
A ideia não é tentar o ingresso na faculdade agora. Ele está no 8º ano do ensino fundamental e, se tudo correr como planeja, vai fazer vestibular para valer só quando terminar o colégio. Empolgada com os resultados de Bernardo, a Uerj informou que está em contato com a família e “vem conversando para garantir maneiras de manter o vínculo afetivo e o interesse pela universidade”.
“Quando eu crescer”, ele diz, a ideia é estudar Engenharia de Computação no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) ou no Instituto Militar de Engenharia (IME), dois dos centros de ensino superior mais disputados do País.
Por enquanto, divide seu tempo entre a escola no período da manhã e aulas de matemática olímpica, tecnologia, xadrez e música à tarde. Mas, garante, sobra muito tempo para jogar videogame, ver TV, andar de bicicleta, passear no shopping, ir à praia, como qualquer outro garoto da sua idade.
“Tem gente que acha que eu só estudo, mas tenho bastante tempo livre para bagunçar.”