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Datafolha: Erosão master de Lula obrigará a esquerda a se livrar de Moraes

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Alheio ao debate quase bizantino sobre se o escândalo do Banco Master é de esquerda ou de direita, o grosso do eleitorado deu seu recado na pesquisa Datafolha anunciada hoje. A responsabilidade sobre toda essa sequência de denúncias recai sobre o Palácio Planalto, visto como em santa aliança com o Supremo Tribunal Federal. Tudo o que pesa contra o STF irá pesar sobre o governo. O resultado está aí: crescimento vertiginoso de Flávio Bolsonaro e queda brusca de Lula em poucos dias, resultando em empate técnico.

Percepção de proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula pode estar entre os motivos do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
Percepção de proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula pode estar entre os motivos do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas

As cúpulas do Judiciário e do Executivo criaram essa parceria, seja contra o Congresso ou contra o bolsonarismo. E com ares algo pomposos de “defesa da democracia”. Pode até ser. Mas no momento em que o grande herói da esquerda, Alexandre de Moraes, está até o pescoço afundado no escândalo do Banco Master, o governo acabou por entrar junto na lama. Dizer que a maioria dos protetores do mafioso Daniel Vorcaro seria gente do centrão ou da direita não tem sido uma estratégia eficaz até o momento. Moraes era politicamente mais vistoso do que todos os outros somados e ele está associado ao petismo.

Também não será muito eficiente vincular a atual crise aos “abusos” da Lava Jato. Ora, para o pessoal do andar de baixo, o fim da operação do juiz Sergio Moro e Cia foi visto como um acordão para abafar um escândalo bilionário – com o Supremo e tudo – e não como uma maneira de restabelecer o “Estado democrático de direito”. Isso não quer dizer que Moro e os deslumbrados ex-procuradores Deltan Dallagnol, Rodrigo Janot e tantos outros não tenham cometido abusos seguidos que ajudaram a dar argumentos para findar a operação.

Até o final do ano passado, o governo tinha um trunfo para a eleição presidencial que se avizinha: Alexandre de Moraes. Um justiceiro que teria evitado um golpe de Estado perpetrado pelo hoje presidiário Jair Bolsonaro. O juiz adorou o papel. Mas a soberba de Alexandre precedeu sua queda num contrato milionário de Vorcaro com sua esposa e uma suposta tentativa de ajudar uma operação fraudulenta do banco falido. Seu colega na corte, Dias Toffoli, também está preso nessa teia. Muito mais pode aparecer. Em algum momento urgente, o petismo terá de se livrar de Moraes para estancar a sangria.

Nos últimos meses, a esquerda se dividiu entre críticas envergonhadas ao juiz, silêncio e defesa estridente pró-Moraes. Inclusive, com ataques agressivos a jornalistas que apuram os fatos. São movimentos que ajudaram a colar o encrencado magistrado a Lula. Nesse espaço, avançou Flávio – que terá de lidar, na sua campanha, com as acusações que pesam contra ele, como ligações com milícias, enriquecimento ilícito e o golpismo do pai. Porém, neste momento, jogando praticamente parado (hoje pediu a renúncia de Moraes), foi o vencedor da rodada.

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