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Flávio Bolsonaro gasta inglês nos EUA para atacar Lula, mas o eleitor ficou sabendo e gostou?

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Primeiro, era um texto lido. Depois, foi de improviso. O senador Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos gastar seu inglês para falar na audiência realizada no processo sobre a taxação de produtos brasileiros pela gestão Trump.

No palco montado para discutir um problema que afeta diretamente o setor produtivo do Brasil, o pré-candidato do PL à Presidência da República preferiu apontar para o presidente Lula. O gesto é obviamente eleitoral, mas o resultado duvidoso.

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante audiência pública no dia 7 de julho nos EUA
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante audiência pública no dia 7 de julho nos EUA

Sem transmissão ao vivo da audiência, Flávio perdeu o direito de divulgar pequenos vídeos com o que seriam os hipotéticos melhores momentos de seu discurso nos EUA. A falta da cena filmada impediu que se apresentasse como o herói fabricado por IA e usado na propaganda política em rede social.

Na versão da inteligência artificial, o senador veste traje militar, pilota jatos, troca tiros com gente do PCC e do CV e redime até Neymar após as chacotas fora de lugar do petista.

No mundo real, sua atuação fica do seu próprio tamanho. Aparece como aquele que quer ser herdeiro político do trono que já foi do pai, dando sinais de que não sabe qual persona vender ao eleitor. Oscila entre gestos de beligerância com promessa de “paz e amor”. Acaba colocando na praça a versão de um Bolsonaro recauchutado.

Nos EUA, após falar na sessão da USTR, a instância que trata das tarifas como punição aos brasileiros, Flávio Bolsonaro correu para gravar vídeo dizendo que não tinha “nenhuzinho” do governo Lula na sessão. Foi o melhor que conseguiu produzir, mas não escondeu o desconforto que provocou no empresariado, como revelou a repórter do Estadão/Broadcast Isadora Duarte.

O pragmatismo do senador em relação ao futuro das exportações brasileiras parece ter passado longe. E os dividendos eleitores? O eleitor ouviu? Gostou? Para resposta ser positiva dependeria de a viagem de Flávio Bolsonaro ser compreendida como gesto claro de quem se importa com o País. Mas ele mesmo deu sinais em direção oposta.

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