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Lula aposta em soberania, Flávio mira Moraes e Cury busca ampliar espaço no 7 de Setembro

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O 7 de Setembro será palco de estratégias distintas dos principais candidatos à Presidência a um mês do primeiro turno. Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, com foco em soberania nacional, enfrentamento à violência contra as mulheres e outras pautas sociais. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro (PL) tentará transformar a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) em combustível para levar apoiadores à Avenida Paulista. Já Augusto Cury (Avante), embalado pelo avanço nas últimas pesquisas, fará ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, para reforçar sua campanha e tentar ampliar espaço fora da polarização.

As diferenças entre as estratégias aparecem também no formato das mobilizações. No caso de Lula, o Planalto preparou uma cerimônia institucional, sem símbolos partidários, em meio aos cuidados impostos pela legislação eleitoral. O desfile, previsto para começar às 9h, terá como eixos temas já explorados pelo governo e pela campanha, como o combate ao feminicídio e defesa da soberania nacional, além da Copa do Mundo Feminina de 2027.

Lula aposta em soberania, Flávio mira Moraes e Cury busca ampliar espaço no 7 de Setembro
Lula aposta em soberania, Flávio mira Moraes e Cury busca ampliar espaço no 7 de Setembro

Aliados do presidente afirmam que a cerimônia também deverá adotar um tom mais moderado do que em anos anteriores. A preocupação é evitar que um evento oficial seja associado diretamente à campanha e abra margem para questionamentos posteriores no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na campanha de Flávio, a aposta é outra. Integrantes da equipe do senador e aliados passaram a explorar a crise que atinge o STF como chamariz para o comício do Dia da Independência na Avenida Paulista, com concentração prevista para as 15h.

Após o Estadão revelar o conteúdo da troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, o mote “Fora, Lula” ganhou uma nova frente: “Fora, Moraes”. Bolsonaristas passaram a usar o episódio para reforçar o discurso antissistema e insuflar o sentimento de indignação de seus apoiadores contra autoridades de Brasília.

Relator do caso Banco Master, o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que compilou 51 mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro. O conteúdo mostra que Vorcaro se aconselhava e pedia orientações ao ministro, inclusive sobre se deveria deixar o País às vésperas da determinação de sua prisão.

A nova frente já passou a dominar as convocações de aliados de Flávio. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), candidato à reeleição e um dos envolvidos na mobilização, diz que as manifestações do grupo são espontâneas e que os episódios recentes envolvendo o ministro do STF deram novo combustível à convocação. “Todas as manifestações são espontâneas e sempre da gente”, afirmou, ao citar os “abusos de Alexandre de Moraes”.

Sóstenes também confirmou as presenças de Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Uma das estrelas digitais do bolsonarismo, Nikolas mencionou a “podridão” de Brasília ao convocar apoiadores nas redes para o ato e compartilhou uma imagem de um manifestante com o cartaz: “Fora, Lula, Toffoli, Moraes! O Brasil não aguenta mais”. Nos últimos dias, Nikolas também se viu envolvido em episódio envolvendo Vorcaro. Em áudios divulgados pelo ICL, Nikolas Ferreira chamou o banqueiro de ‘Dani’ e cobrou liberação de ativo minerário de um aliado.

Além deles, estão previstos discursos de Flávio, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), do pastor Silas Malafaia, dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PL) e André do Prado (PL), e do deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos).

O próprio Flávio incorporou o caso à tentativa de levar apoiadores às ruas. Em sua transmissão semanal às quintas-feiras, o senador aproveitou o noticiário para convocar seus seguidores a comparecer ao comício de sua campanha. O movimento ocorre depois de o lançamento de sua candidatura, em 16 de agosto, na Praia de Copacabana, ter reunido cerca de 9 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político – público menor do que o registrado em outras manifestações bolsonaristas.

A campanha procura, ao mesmo tempo, combinar a ofensiva contra o Supremo com críticas ao governo Lula. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio e líder da oposição no Senado, afirma que um dos eixos será mostrar ao eleitorado que “já venceu o prazo de validade da gestão petista” após seu período no comando do País.

O senador também publicou uma nota citando críticas a Moraes para embasar a convocação do protesto, marcado na Avenida Paulista há semanas. “Neste 7 de Setembro, a sociedade precisa reagir, pacífica e democraticamente. É hora de dizer basta às práticas de exceção, restaurar os limites da Constituição e encerrar este triste período de abuso de poder. Nenhuma autoridade está acima da lei. É hora de resgatar o Brasil do arbítrio. Fora, Lula! Fora, Moraes!”, escreveu Marinho.

Por trás da ofensiva nas ruas, aliados de Flávio veem o ato como uma oportunidade para tentar destravar uma disputa que entrou em empate técnico no segundo turno. Na Quaest divulgada nesta semana, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% do senador. A avaliação no entorno da campanha é de que uma manifestação numerosa na Paulista ajudaria Flávio a demonstrar capacidade de mobilização, manter sua base engajada e tentar ganhar impulso na reta final da campanha.

A aposta em Moraes também encontra respaldo no interesse despertado pelo caso fora da militância. Nunca antes o nome do ministro foi tão buscado no Google como nesta semana, segundo dados do Google Trends. A repercussão das mensagens envolvendo Vorcaro e do embate com Mendonça fez com que o interesse pelo termo superasse até o registrado em novembro de 2022, quando manifestações golpistas se espalharam pelo País após a derrota de Jair Bolsonaro e Moraes se consolidou como um dos principais alvos do bolsonarismo.

Na Paulista, a campanha prepara uma estrutura para concentrar as principais lideranças do grupo. Serão dois trios elétricos lado a lado. O principal será destinado aos discursos, enquanto o segundo reunirá deputados, senadores e outras lideranças políticas.

Enquanto Flávio concentra a mobilização na Paulista, Augusto Cury tentará usar o 7 de Setembro para transformar o avanço nas pesquisas em demonstração de força nas ruas do Rio de Janeiro. O candidato do Avante chegou a 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 2, e se consolidou na terceira colocação. No levantamento anterior do instituto, de agosto, ele aparecia com 2%.

Cury marcou para a manhã de 7 de Setembro a “Caminhada da Independência Cury Brasil”, em Copacabana. A concentração está prevista para as 9h, no Posto 6, de onde os apoiadores seguirão pela orla acompanhados por um minitrio elétrico até o Posto 5. No fim do percurso, o candidato deverá discursar em um trio elétrico.

A escolha do Rio de Janeiro é estratégica. A campanha avalia, com base em pesquisas internas, que Cury ainda tem espaço para avançar entre os eleitores fluminenses e pretende usar o ato para ampliar sua presença no Estado.

A mobilização terá o branco como cor predominante e deverá explorar temas como fé, família, educação e valores. Cury também buscará reforçar o discurso de união nacional e de superação da polarização, uma das linhas adotadas pela candidatura para se diferenciar de Lula e Flávio.

Sérgio Lima, marqueteiro de Cury e integrante da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018, afirma que o foco do evento será reforçar a mensagem de pacificação que tem norteado a campanha do escritor, além de produzir material para as redes sociais e para a propaganda eleitoral na TV.

Segundo Lima, será o primeiro ato aberto de Cury com convocação ao público geral. “A gente não tem muita expectativa de público em si. Estamos focados em passar a mensagem da campanha e fazer gravações”, diz o marqueteiro. Ele, porém, não descarta uma adesão maior diante da rápida ascensão do psiquiatra nas pesquisas.

Entre os demais candidatos à Presidência, também haverá manifestações. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) preparam atos contra o Supremo em São Paulo. O candidato do Missão terá como ponto de encontro o Obelisco do Ibirapuera, às 11h. Zema, por sua vez, fará uma passeata na Avenida Paulista, com concentração às 9h20, na altura da Rua da Consolação. Depois, concederá entrevista coletiva à imprensa e caminhará em direção ao Masp.

Ronaldo Caiado (PSD) permanecerá em Goiás no feriado. O candidato participará, às 8h, do desfile cívico, na Avenida Tocantins, no centro da capital. Após o desfile, Caiado concederá entrevista coletiva à imprensa no mesmo local.

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