O maior exame de estudantes do mundo, o Pisa, avaliou pela primeira vez em 2025 uma área chamada de Aprendizagem no Mundo Digital (Learning in the Digital World). A ideia do exame é descobrir como os alunos usam ferramentas digitais para investigar, testar soluções, analisar dados, construir ou corrigir modelos e programas.
A base dessa nova área foi a prova de Resolução de Problemas Computacionais, que levou a um novo ranking do Pisa. Até então, a avaliação feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) só listava os países em desempenho de Leitura, Matemática e Ciência.
O Brasil ficou com 406 pontos, abaixo da média dos países da OCDE, que foi de 500 pontos. Países asiáticos aparecem no topo do ranking.
Nessa nova prova, o estudante recebe tarefas que ficam mais complexas conforme ele acerta. O aluno ainda recebe feedback ao longo do caminho.

Em uma das questões liberadas pela OCDE, chamada “Garra de Reciclagem”, o estudante precisava programar uma garra robótica para separar objetos, como em uma usina de reciclagem. Ele recebia blocos de comandos, montava um programa, executava a sequência e observava o resultado. Se a garra não levasse os objetos aos lugares corretos, precisava identificar o problema, modificar o código e testar novamente.
Em tarefas mais complexas, precisava ainda encontrar uma maneira de a garra fazer a separação usando o menor número possível de comandos.
A avaliação também testa se o estudante consegue manter a motivação, acompanhar seu próprio progresso e mudar de estratégia quando encontra dificuldades.
Como foi o ranking?
O Brasil ficou em 69º lugar no ranking, com 406 pontos, abaixo da média dos países da OCDE, assim como ocorre em outras áreas do Pisa. O desempenho dos alunos brasileiros foi próximo ao dos da Jordânia (408), Argentina (403), Uzbequistão (402) e El Salvador (401).
No topo do ranking aparecem Macau, com 572 pontos; Cingapura, com 563; e as províncias chinesas, com 560. Entre os países da OCDE, destacam-se Estônia, Coreia, Austrália e Nova Zelândia, todos acima de 530 pontos.
Mas o resultado não deve ser interpretado como simples medida de quem sabe mais informática. É avaliado um conjunto de competências que ganha importância à medida que computadores e inteligência artificial passam a fazer parte cada vez mais das tarefas.
Um estudante pode, por exemplo, saber usar muito bem um aplicativo e ainda ter dificuldade para decompor um problema, formular uma estratégia, testar uma hipótese e perceber por que sua primeira tentativa não funcionou.
Quer experimentar?
O Estadão preparou, em parceria com a edtech Start by Alura, um simulado com questões inspiradas nas habilidades avaliadas pelo Pisa nessa nova área. Não é uma reprodução da prova oficial, mas uma oportunidade para testar algumas das formas de raciocínio envolvidas na resolução de problemas computacionais.
A Start by Alura é uma empresa de educação digital que presta serviços para redes estaduais, como Paraná, São Paulo e Piauí, e municipais na área de tecnologia. Ela ajuda na implementação do currículo e faz formação de professores para a área de computação, que passou a fazer parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em 2022.
O pensamento computacional, que aborda o raciocínio lógico e a construção de soluções para os problemas, faz parte do que deve ser ensinado. Além disso, devem integrar o currículo a compreensão do mundo digital, o funcionamento técnico da internet e ainda as discussões sociais e éticas do uso das tecnologias.