A jornalista e ex-senadora Ana Amélia Lemos e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, na quarta-feira (7), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o “apoio do centrão a Flávio isola Lula no 2º turno?”
Republicanos, Novo e União Progressista anunciaram apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições presidenciais.
A movimentação levanta o debate sobre se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaria isolado na próxima etapa do pleito, marcada para o dia 25 de outubro.
Para Ana Amélia Lemos, o resultado do primeiro turno já havia favorecido Flávio Bolsonaro, e os novos apoios reforçam essa vantagem. “Esta vitória no primeiro turno já deu uma folga para a disputa em favor de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
No meio desse apoio, ela avalia ainda o papel do Republicanos, partido que tem em Tarcísio de Freitas — reeleito no primeiro turno para o governo de São Paulo — um importante cabo eleitoral para a campanha. “Isso é um benefício para a candidatura, que já venceu no primeiro turno, na disputa do segundo turno contra o presidente Lula”.
Ana Amélia destaca que, após o revés nas urnas no primeiro turno, a campanha de Lula mudou de curso e passou a usar usar mais as redes sociais para comunicação.
“A direita está mais digitalizada, do ponto de vista da campanha, com os influenciadores digitais que foram também campeões de votos e que estão agora na trincheira lutando pela eleição e vitória de Flávio Bolsonaro”, analisa.
Centrão e o pragmatismo político
José Eduardo Cardozo avaliou que o comportamento do centrão era previsível. Segundo ele, esses partidos adotaram neutralidade no primeiro turno para preservar flexibilidade em palanques estaduais e, em seguida, alinharam-se ao candidato vitorioso.
“O Centrão apoia qualquer governo. Ele é o centro que se locomove pragmaticamente”, disse.
Cardozo ponderou, no entanto, que o impacto prático desses apoios sobre o eleitorado tende a ser limitado. “Eu não creio que muitos eleitores se influenciem por isso”, afirmou, acrescentando que “outras coisas podem influenciar mais”.
Cardozo também chamou atenção para declarações de Flávio Bolsonaro sobre temas como castração química e alterações constitucionais, questionando se todos os eleitores que votaram no candidato compartilham dessas posições. “Muitas águas ainda vão rolar até o segundo turno. Aguardemos.”