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No Enem, o que cai na prova de Linguagens? Veja os temas mais comuns

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As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro, em dois domingos consecutivos. Desde 2009, ele é utilizado como forma de acesso à Educação Superior no Brasil e no exterior.

As notas podem ser aproveitadas tanto para o candidato disputar uma vaga em universidades públicas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu) quanto para concorrer a bolsas nas instituições particulares pelo Programa Universidade para Todos (ProUni).

O exame é dividido em quatro áreas do conhecimento, cada uma possui 45 questões de múltipla escolha. No primeiro dia, os candidatos respondem a 90 questões de duas áreas, além de fazer a redação. São elas:

  • Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (inglês ou espanhol), Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação;
  • Ciências Humanas e suas Tecnologias: História, Geografia, Filosofia e Sociologia.

No segundo dia, são avaliadas em outras 90 perguntas:

  • Ciências da Natureza e suas Tecnologias: Química, Física e Biologia;
  • Matemática e suas Tecnologias.

O Estadão vai trazer quais são os temas mais recorrentes em cada uma das provas, a partir de levantamentos e entrevistas com representantes da Arco Educação, Bernoulli Educação e do curso Anglo.

Confira o que pode aparecer na prova de Linguagens:

Em Língua Portuguesa, a predominância é de interpretação de textos e semântica. Também é previsto que o exame traga questões em que os candidatos tenham de reconhecer gêneros textuais, discernindo estruturas e funções entre eles. Outra tradição do Enem é de ter perguntas que exigem análise que combinam texto e imagem, com linguagem verbal e não-verbal, especialmente em campanhas de conscientização e políticas públicas.

Dentro de Língua Estrangeira, os estudantes podem optar por inglês ou espanhol até o dia 18 de outubro. Neste componente, o exame também avalia a interpretação de texto e a habilidade de o candidato extrair informações centrais e específicas indo além da mera tradução de palavra por palavra.

As provas do Enem deste ano serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.
As provas do Enem deste ano serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro.

Diferentemente de outros vestibulares tradicionais, em Literatura o Enem foca no Modernismo e no Pós-Modernismo e não costuma cobrar conhecimento sobre os movimentos mais antigos como Barroco, Romantismo, Simbolismo e Naturalismo. “Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade são os dois autores mais citados”, afirma Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovações da Arco Educação.

Em Artes, as questões passam pela análise de contextos e fatores de influência ligados às expressões artísticas e culturais; expressões de determinados povos por meio da cultura popular; e arte brasileira com manifestações culturais e artísticas do Brasil, no sentido histórico e social. Artes visuais e arte brasileira foram os temas mais fortes do exame do ano passado, segundo levantamento do Anglo.

No componente Educação Física, o exame costuma abordar a relação entre o corpo, práticas corporais, esporte e sociedade. Um tema recorrente, como reforça Celedônio, são as pautas contemporâneas ligadas à saúde mental no esporte e atletas, como o impacto da pressão psicológica sobre atletas de elite em grandes competições.

Em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), o Enem avalia a leitura crítica de textos informativos, letramento midiático, ambientes digitais e circulação da informação.

Redação coloca candidato ‘na boca do gol’

Diferentemente das 180 questões objetivas da prova, a redação não é corrigida pela Teoria de Resposta ao Item (TRI) e, para os especialistas, ela pode ser definidora para fazer com que o estudante tenha um bom desempenho na prova. “Ela vale 1000 pontos e é quem bota o candidato ‘na boca do gol’. Se você tiver uma boa nota, vai ter mais chances de uma vaga na universidade pública”, diz Celedônio.

Diferentemente das 180 questões objetivas da prova, a redação não é corrigida pela Teoria de Resposta ao Item.
Diferentemente das 180 questões objetivas da prova, a redação não é corrigida pela Teoria de Resposta ao Item.

A nota da redação é composta pela soma de 5 competências de 200 pontos cada. São elas:

  • Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa;
  • Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
  • Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
  • Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
  • Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Os especialistas alertam sobre o uso de “pacote de citações” ou modelos prontos decorados da internet no texto da redação. Se o candidato usa um repertório memorizado mas não consegue fazer uma contra-argumentação crítica, a banca aplica penalizações severas na pontuação.

Sobre as apostas de tema, o professor Ademar Celedônio aponta eixos sociais e atuais que dialogam diretamente com o histórico da prova:

  • Proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais (uso de telas, cyberbullying e letramento midiático);
  • Direito à vida e futuro da juventude brasileira (enfrentamento da violência, evasão escolar e acesso ao trabalho);
  • Alfabetização plena para o exercício da cidadania (compreensão leitora e autonomia social);
  • Confiança da população na ciência e nas instituições de saúde (combate às fake news e desinformação);
  • Inclusão de estudantes com altas habilidades ou superdotação;
  • Inclusão de pessoas neurodivergentes na sociedade (autismo, TDAH e eliminação do capacitismo);
  • Enfrentamento de calamidades climáticas e degradação ambiental (prevenção de desastres, cheias e secas);
  • Combate ao feminicídio e formas de conscientização social.

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