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A formação do médico não termina com o diploma

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Novas evidências científicas, ferramentas de inteligência artificial e terapias personalizadas influenciam o que os médicos precisam saber e as decisões que devem tomar no atendimento. Só o PubMed, uma das principais bases internacionais da área, reunia mais de 39 milhões de registros em 2025, cerca de 1,7 milhão deles incorporados em apenas um ano.

Para os médicos, acompanhar essa produção significa rever conhecimentos e avaliar novas possibilidades de diagnóstico e tratamento ao longo de toda a carreira.

Na Faculdade São Leopoldo Mandic, a formação do profissional passa também por treinamento em laboratórios de habilidades e simulação
Na Faculdade São Leopoldo Mandic, a formação do profissional passa também por treinamento em laboratórios de habilidades e simulação

Já para as faculdades, o desafio começa ainda na formação dos médicos.

“A graduação continua durando seis anos, mas o desafio não é simplesmente acrescentar novos conteúdos a um currículo que já é extenso. Precisamos formar médicos capazes de integrar conhecimento científico, raciocínio clínico, tecnologias digitais, comunicação, profissionalismo, liderança e tomada de decisão em contextos progressivamente mais complexos”, afirma Fabiana Succi, diretora de Ensino de Graduação em Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Saber buscar respostas

Quem entra hoje na faculdade encontrará, durante a vida profissional, protocolos, tratamentos e tecnologias que ainda não existem. Por isso, parte do aprendizado está em desenvolver autonomia para continuar estudando, reconhecer os limites do próprio conhecimento e buscar respostas para as questões que surgem no exercício da profissão.

Para Fabiana Succi, diretora de Ensino de Graduação em Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, o uso de IA e da inovação na medicina exige preparo e avaliação crítica
Para Fabiana Succi, diretora de Ensino de Graduação em Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, o uso de IA e da inovação na medicina exige preparo e avaliação crítica

A inteligência artificial é um exemplo dessas mudanças. Ferramentas que usam a tecnologia já podem auxiliar na busca de informações, na análise de dados e no diagnóstico, mas seu uso exige preparo.

“O profissional precisa compreender quando e como utilizar uma inovação, avaliar criticamente a qualidade das informações que ela produz, reconhecer seus limites e possíveis vieses”, diz Fabiana. A responsabilidade e o julgamento clínico, ressalta, continuam com o médico.

Na São Leopoldo Mandic, uma matriz organiza as competências esperadas dos estudantes em seis dimensões: Cuidador, Comunicador, Colaborador, Profissional, Líder e Gestor e Inovador. O desenvolvimento dos alunos é acompanhado por avaliações e feedback ao longo do curso.

Diante de um caso, saber o conteúdo é apenas uma parte do trabalho. Também é necessário reunir informações, conversar com quem está sendo atendido, atuar com profissionais de outras áreas e considerar as particularidades de cada situação.

Aprendizado em situações reais

É no contato com pacientes e serviços de saúde que conhecimentos estudados separadamente precisam ser reunidos. Sintomas, histórico, exames e condições de vida se apresentam juntos, e cabe ao estudante aprender a relacioná-los para compreender o caso e discutir a conduta.

Fabiana conta que na Mandic esse contato começa nos primeiros semestres, de forma progressiva e supervisionada. Os alunos passam pela Atenção Primária e por unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhando diferentes níveis de atenção.

Hospitais e ambulatórios do grupo também integram as atividades de ensino. Em 2026, o Hospital São Leopoldo Mandic, na Casa de Saúde Campinas e integrado ao SUS, ampliou as oportunidades para estudantes e residentes acompanharem pacientes com diversos perfis e necessidades.

Parte do treinamento ocorre em laboratórios de habilidades e simulação. Nesses espaços, os alunos praticam sob supervisão, recebem feedback e podem se preparar para casos de maior complexidade sem expor pacientes a riscos desnecessários. Recursos digitais, interpretação de exames por imagem e inteligência artificial também fazem parte dessas atividades.

Fora dos campos habituais de ensino, os alunos participam ainda de projetos de extensão. O Barco da Saúde Mandic e a Expedição Caminhos da Saúde oferecem atendimento médico e odontológico gratuito a comunidades vulneráveis e ribeirinhas da Região Norte. Os projetos aproximam os estudantes de populações e condições de assistência diferentes das encontradas nos demais campos de ensino.

As exigências mudam com a carreira

As necessidades de quem está começando não são as mesmas de quem já está na residência ou na especialização. Na faculdade, as prioridades incluem desenvolver o raciocínio clínico, construir a identidade profissional e ganhar autonomia. Mais adiante, o aprofundamento clínico, as decisões de maior complexidade, a liderança e a gestão se tornam mais relevantes.

“A formação não termina com o diploma; ela se transforma à medida que aumentam a experiência, a autonomia e a responsabilidade do profissional”, afirma Fabiana.

A residência médica é uma das possibilidades de continuidade dos estudos após a graduação, mas a oferta de vagas não tem acompanhado o número de profissionais que deixam a faculdade. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, 32.611 médicos concluíram a graduação em 2023. No ano seguinte, havia 16.189 vagas de primeiro ano em especialidades de acesso direto, que não exigem residência anterior. A diferença entre o número de formados e essas vagas vem aumentando.

Em dezembro de 2024, 40,9% dos médicos registrados no país não tinham título de especialista. Isso não significa que todos buscassem uma vaga de residência, mas indica que uma parcela expressiva da categoria não tinha título de especialidade naquele momento.

Na Mandic, o ensino se estende da graduação à residência médica, à pós-graduação lato e stricto sensu e à educação continuada. Os projetos pedagógicos são revistos periodicamente com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais, em referências internacionais de educação médica, nas necessidades de saúde da população e na evolução da ciência e da prática profissional.

O corpo docente inclui professores e preceptores que conciliam o ensino com a atuação na assistência, na pesquisa e na gestão. Essa experiência leva para as aulas questões que surgem no exercício da medicina. Casos clínicos, protocolos e estratégias de ensino podem ser revistos a partir dessas situações, de acordo com as evidências disponíveis, as diretrizes profissionais e as competências previstas para cada etapa.

O que muda para o paciente

Um estudo pode colocar em dúvida uma conduta adotada durante anos. Uma tecnologia pode oferecer outra forma de investigar uma doença. Um tratamento recém-incorporado pode ser adequado para uma pessoa e não para outra. Antes de incorporar uma inovação ao atendimento, é preciso avaliar as evidências disponíveis e considerar o quadro clínico, os riscos e os possíveis benefícios em cada caso.

“O principal beneficiado pela educação continuada é o paciente”, afirma Fabiana. Para ela, conhecimento científico e competência clínica precisam vir acompanhados da capacidade de reconhecer limites, trabalhar com outros profissionais e compartilhar decisões.

A relação no consultório vem mudando. Com maior acesso à informação, muitas pessoas chegam à consulta sabendo mais sobre doenças, exames e tratamentos e querem participar das escolhas sobre a própria saúde. Isso exige do médico não apenas domínio técnico, mas disposição e capacidade de ouvir, explicar alternativas e discutir os caminhos possíveis.

Novas descobertas continuarão mudando o que se sabe sobre doenças, diagnósticos e tratamentos. Para quem exerce a medicina, estudar é parte do trabalho.

Bolsas por mérito no vestibular

A São Leopoldo Mandic vai oferecer 100 bolsas por mérito acadêmico no Vestibular Unificado de Medicina 2027, distribuídas entre as unidades de Campinas, Araras e Limeira, em São Paulo, e a Faculdade de Medicina do Sertão, em Arcoverde, Pernambuco. Os benefícios chegam a 50% da mensalidade e serão concedidos de acordo com a classificação nas modalidades presencial e online ou com o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A participação é automática para os inscritos no processo seletivo, sem necessidade de uma candidatura específica às bolsas. Os critérios de concessão e manutenção estão no edital.

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