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Campos Neto indicou para diretoria do BC servidores agora alvos da PF

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O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto defendeu para ocupar cargos na diretoria da autoridade monetária os nomes dos dois dirigentes do órgão que foram alvos de operação da Polícia Federal nesta quarta-feira, 4. As indicações do ex-presidente foram feitas antes de virem à tona suspeitas de que os servidores atuaram de maneira irregular para favorecer o Banco Master dentro do BC.

De acordo com relatos feitos à coluna por integrantes do alto escalão do atual governo, Campos Neto teria recomendado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que reconduzisse o então diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio de Souza, ao cargo, em 2023. Souza foi nomeado diretor em 2017, ainda no governo de Michel Temer.

Campos Neto também teria defendido a indicação de Belline Santana para a diretoria. As recomendações foram feitas no fim do mandato de Campos Neto, já durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e não foram acatadas pelo governo petista. Levado à presidência do BC pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Campos Neto permaneceu no cargo até dezembro de 2024, e era constantemente atacado pelo governo Lula.

O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC Belline Santana foram alvos de operação da Polícia Federal
O ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC Belline Santana foram alvos de operação da Polícia Federal

Vale notar que, como mostrou o Estadão/Broadcast, Souza e Belline têm décadas de carreira no BC e eram vistos como servidores sérios dentro da instituição. Ao longo de 2025, com a evolução das investigações sobre o caso Master, porém, Paulo Sérgio de Souza protagonizou divergências com a diretoria sobre o tratamento que seria dado ao banco. Naquele ano, Campos Neto já havia deixado a presidência e, Souza, a diretoria, este passando a ocupar o cargo de chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária do BC, que cuida da fiscalização de instituições financeiras.

Nesta quarta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a colocação de tornozeleira eletrônica em Souza e Santana, além do afastamento de seus cargos no BC. De acordo com a representação da PF que embasou a decisão, os dois receberam pagamentos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Em troca, atuavam de diversas maneiras para “facilitar” a vida do Master no BC, como, por exemplo, analisando previamente documentos que seriam submetidos ao próprio órgão, sugerindo ajustes e fazendo comentários.

Segundo a PF, Paulo Sérgio chegou a dar sugestões sobre como Vorcaro deveria se comportar em uma reunião com o presidente do Banco Central – a coluna apurou que se tratava do atual presidente, Gabriel Galípolo.

Procurado pela coluna para comentar as indicações dos servidores agora investigados, Campos Neto ainda não respondeu. Apesar de os fatos relatados nas apurações da Polícia Federal abrangerem o período dele à frente da autoridade monetária, Campos Neto tem, até agora, evitado comentar as fraudes no Banco Master.

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