Desafios para a educação no Brasil não são novidade, mas um recuo inédito da aprendizagem nos países ricos expõe um crise global, que afeta o nosso futuro. A Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou nesta terça-feira, 8, os dados do Pisa, a maior avaliação internacional, aplicada entre alunos de 15 anos, incluindo brasileiros.
Os resultados preocupam. Em um mundo dominado pelas telas e pela inteligência artificial, os jovens têm dificuldades de se concentrar, ler, interpretar números e textos, raciocinar, usar dados complexos, enfrentar a desinformação. São competências necessárias não apenas na sala de aula, mas para desenvolver economias mais produtivas e democracias fortes.
Em seu relatório, a OCDE faz alertas e destaca habilidades necessárias para garantir nossa “sobrevivência na era digital” – antes que seja tarde para essa e as próximas gerações.
1 – Pouca leitura, muito feed
As pessoas apelam rapidamente para explicações como o impacto da pandemia de COVID, mas o declínio na leitura já era visível bem antes da pandemia surgir. Não podemos afirmar com certeza, mas a queda nos níveis de leitura por prazer e a transição para a leitura digital – passar os olhos por feeds de redes sociais e processar informações rapidamente – podem estar comprometendo a capacidade dos estudantes de se engajarem com textos e dados complexos
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE

2- Regra para celular na escola faz diferença?
Nas escolas com políticas claras sobre o uso de celulares – seja por meio de proibições ou de diretrizes bem definidas – menos estudantes se distraem com dispositivos digitais.
Relatório da OCDE sobre o Pisa 2025
3 – ‘Dieta’ de IA não emagrece nem faz aprender
Do mesmo modo que não ficamos em forma assistindo a esportes, mas sim praticando esportes, o aprendizado não ocorre pelo consumo de conteúdo, mas como esforço cognitivo produtivo da mente com o novo material. Onde a tecnologia possibilita ou aprimora o esforço cognitivo, os alunos progredirão. Onde a tecnologia atalha o esforço produtivo do aprendizado, ela prejudicará o desenvolvimento dos estudantes.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE

4 – Incluir – mas com qualidade
Expandir a participação escolar sem melhorar os resultados de aprendizagem não é suficiente para o sucesso econômico e social. Avaliações abrangentes da inclusão educacional devem, portanto, considerar tanto a matricular escolar quanto a aquisição de habilidades cognitivas essenciais, para que os jovens não sejam deixados para trás.
Relatório da OCDE sobre o Pisa 2025
5 – Só informação não basta
Em um mundo de capacidade de atenção reduzida e sobrecarga crescente de informação, formuladores de políticas têm papel fundamental a desempenhar na construção de uma cultura educacional que cultive a profundidade de pensamento necessária para prosperar. O futuro pertence não apenas aos que conseguem acessar a informação – mas àqueles que conseguem interpretá-la, conectá-la e extrair significado dela.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE
6- Se os robôs dominam, o que nós fazemos melhor?
Se as máquinas dominam cada vez mais o rotineiro, a educação precisa apostar o dobro no que é irredutivelmente humano. Na nossa capacidade de pensar sobre o nosso próprio pensamento. De se distanciar e enxergar o sistema por trás do sintoma. De construir e navegar relacionamentos sociais complexos. De tomar decisões éticas quando os dados se esgotam. De criar o que nunca existiu antes. Essas não são habilidades sociais (soft skills); são competências de sobrevivência na era digital.
Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE