A Stance Dual School, escola de tradição humanista e bilíngue na Bela Vista, região central de São Paulo, foi comprada pela FCM Holding, grupo do empresário Carlos Melke, que atua no ensino superior, educação básica, comunicação, ativos judiciais e mercado imobiliário. Em São Paulo, a organização já adquiriu há alguns anos o Colégio Palmares, em Pinheiros (zona oeste), e a escola de educação infantil Equilíbrio, no Morumbi (sul), que acabou fechada em 2024.
Para dirigir a Stance Dual, os novos proprietários chamaram a ex-diretora pedagógica do Colégio Bandeirantes, Mayra Ivanoff. Segundo ela, um dos seus objetivos é estruturar o ensino médio, que será aberto em 2027. Até agora, a escola atuava apenas na educação infantil e fundamental, com 340 alunos. O investimento do grupo no negócio foi de R$ 60 milhões.
“A escola é pioneira em ensino bilíngue, com alunos muito bons e muito potencial”, disse Mayra ao Estadão. Ela havia deixado o Bandeirantes em 2024, depois de sete anos na direção e atualmente é professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Nesta semana, Mayra foi apresentada aos pais e professores.

O mercado de escolas particulares tem passado por fusões e aquisições nos últimos anos, em especial com negócios que envolvem grupos estrangeiros. O mais recente foi a compra dos colégios Albert Sabin e Vital Brazil pelo grupo inglês International Schools Partnership (ISP).
Em 2024, a rede britânica Nord Anglia adquiriu parte da Escola Móbile, um dos maiores colégios particulares de São Paulo, na zona sul. O grupo tem 87 escolas no mundo todo e havia comprado também a Avenues, na capital. As unidade do Grupo Eleva também foram vendidas à rede inglesa Inspired Education em 2022.
Segundo o diretor de investimento do FCM, Eduardo Rudge de Abreu, a intenção do grupo é ampliar o número de alunos da Stance e ainda investir em novos negócios no mercado de escolas premium na capital paulista. A mensalidade do colégio hoje é de cerca de R$ 11 mil.
A FCM recentemente vendeu suas escolas particulares de ticket baixo para o Grupo Salta, mirando justamente uma mudança para o público de alta renda. “A Stance Dual é uma escola que forma o estudante com muito repertório, com fluência em inglês e português, com consciência da desigualdade do País e também com performance acadêmica”, diz Abreu.
A escola existe desde 1990 em um espaço arborizado na Rua Avanhandava. Segundo Abreu, a fundadora da Stance, a educadora e atual diretora Eliana Rahmilevitz, continuará na direção pedagógica. “Não pensamos em demissões”, diz.
A FCM Holding tem também o controle da Aelbra, mantenedora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), que está desde 2019 em recuperação judicial e, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, planejava levantar cerca de R$ 1 bilhão junto ao Banco Master.
O recurso viria de uma conversão de crédito de dívidas que o banco ou fundo detinham na universidade. Mas, segundo nota da Aelbra, isso “felizmente” nunca ocorreu.
“Por um lado, pois trazer para o quadro societário agentes que, sabe-se bem hoje, estão envolvidos em situação escandalosamente não republicana. Por outro, vê assim ruir um sonho de saneamento financeiro pelo aporte de capital esperado”, diz a nota, de março deste ano. O texto afirma ainda que Aelbra é uma “vítima de agentes que, por tudo o que aparenta, rodaram o mercado fazendo promessas de dinheiro”.
O Estadão tenta contato com a defesa do Banco Master.
O Colégio Palmares, que chegou a ter mais de mil alunos e era referência na capital nos anos 1980 e 1990, passou a ser controlado pela FCM em 2022. Hoje tem cerca de 300 estudantes e, segundo Abreu, um perfil de oferecer “atenção individualizada e performance, menos alunos e muita excelência em um ambiente acollhedor”.
Já a Escola Equilíbrio, que oferecia educação infantil no Morumbi havia cerca de 30 anos, foi comprada e depois fechada pelo grupo há dois anos. Abreu diz que a instituição “não conseguiu manter o mesmo nível de excelência”.