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Reforma tributária: empresas precisam conhecer as regras antes de o jogo começar

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Depois de anos de discussão legislativa, a reforma tributária entra em uma de suas etapas mais críticas: a implementação. Com o debate deixando o Congresso Nacional e migrando para arenas mais técnicas e operacionais, o tema tende a receber menos atenção. Mas é justamente agora que serão tomadas decisões capazes de determinar o sucesso da reforma. É nessa fase que se saberá se o novo modelo cumprirá, na prática, a promessa de simplificar o sistema tributário brasileiro. E isso exige planejamento. Planejamento, por sua vez, exige informação. E uma das informações mais importantes para esse processo ainda é desconhecida: a alíquota da CBS.

Nos próximos meses, empresas de todos os portes terão que adaptar sistemas, revisar contratos, recalcular preços, reorganizar processos e preparar suas operações para a entrada em vigor da CBS. Os escritórios de contabilidade viverão um período ainda mais intenso. Serão eles que terão de interpretar as novas regras, orientar seus clientes e garantir que essa transição aconteça com segurança.

Sessão de promulgação da PEC da reforma tributária no plenário da Câmara dos Deputados
Sessão de promulgação da PEC da reforma tributária no plenário da Câmara dos Deputados

Todo esse processo de adaptação precisa começar antes da vigência da nova tributação. Não por acaso, entidades representativas da contabilidade, como o Sescon-SP, têm chamado atenção para os impactos que a indefinição da alíquota pode trazer ao planejamento das empresas e ao trabalho dos profissionais que conduzirão essa transição. A possibilidade de que a alíquota da CBS seja conhecida apenas muito próximo do início de sua cobrança preocupa justamente porque essa informação é indispensável para a adaptação ao novo cenário.

É verdade que a Constituição permite que a alíquota de referência seja fixada no ano anterior à sua vigência. Essa possibilidade existe e faz parte do modelo aprovado. Mas o fato de a legislação admitir esse calendário não significa que ele seja o mais adequado para quem precisa preparar empresas, sistemas e operações para o novo regime.

A definição antecipada das regras beneficia todos os envolvidos: empresas, profissionais da contabilidade, administrações tributárias e o próprio governo. Quanto maior a antecedência, maior a possibilidade de testar sistemas, corrigir inconsistências, orientar os contribuintes e reduzir problemas quando o novo modelo começar a operar.

Quem acompanha a implementação da reforma sabe que boa parte do trabalho já está acontecendo. Empresas investem em tecnologia, fornecedores adaptam seus sistemas, profissionais estudam a nova legislação e as administrações tributárias trabalham na construção da infraestrutura que sustentará o novo modelo. Não faz sentido que esse esforço seja acompanhado por incertezas que podem ser evitadas.

Temos sustentado, desde o início dos debates sobre a reforma tributária, que a qualidade da implementação será tão importante quanto a qualidade da legislação. Uma reforma dessa dimensão não termina com a aprovação das leis. Ela só será bem-sucedida quando puder ser aplicada com segurança por quem arrecada, por quem fiscaliza e por quem produz.

Ainda há tempo para reduzir parte dessa incerteza. A previsibilidade sempre foi um dos objetivos da reforma tributária. Agora ela também precisa orientar a forma como a reforma será implementada.

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