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Governo tende a ampliar medidas emergenciais com provável expansão da guerra

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A guerra já dura mais de um mês. No Brasil, caminhoneiros ameaçam greve, e é possível que falte diesel. Nos próximos meses, os alimentos também podem ficar mais caros, justo quando o País se prepara para uma eleição.

Esse roteiro vale para o conflito atual no Oriente Médio, mas também poderia ter sido escrito em 2022, quando Bolsonaro se preparava para buscar a reeleição. Naquele momento, a Guerra da Ucrânia causou um severo choque econômico, quando todos ainda se recuperavam da pandemia. Mesmo assim, Bolsonaro tirou uma diferença de mais de 20 pontos percentuais para Lula, e quase virou a eleição.

Crise provocada por guerra dos EUA com Irã provoca crise do diesel
Crise provocada por guerra dos EUA com Irã provoca crise do diesel

A comparação com a campanha passada é importante para evitarmos conclusões precipitadas sobre as eleições deste ano. Certamente, a guerra aumenta muito a pressão sobre Lula, num momento em que os escândalos de corrupção já atrapalhavam a comunicação do governo. Mas ainda é cedo para afirmar que a guerra levará à vitória da oposição. Tudo depende de como Lula reagirá ao conflito.

Os prognósticos, de fato, são bastante preocupantes. A cada semana de bloqueio do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, aumenta a probabilidade de desabastecimento e de preços mais altos. Essa já tem sido a realidade nas regiões que dependem mais diretamente de importações do Oriente Médio.

As Filipinas impuseram semanas de trabalho de quatro dias para economizar combustível; no Vietnã, o governo pediu às empresas que adotassem trabalho remoto; na Índia, filas quilométricas se formaram nas cidades para conseguir botijões de gás. Para o chanceler alemão, Friedrich Merz, o impacto da guerra pode ser tão grave quanto o da pandemia de Covid-19.

O Brasil tem rotas alternativas de importação e dificilmente sofrerá com desabastecimento de combustíveis ou de outros insumos neste mês. Mas isso pode acontecer a partir de maio, especialmente se o controle do Estreito de Ormuz continuar em disputa.

O Irã tem demonstrado capacidade de sustentar a atual posição, mesmo sob intenso bombardeio dos Estados Unidos e de Israel, o que está empurrando os aliados para um possível ataque terrestre daqui a algumas semanas. A Batalha de Ormuz, se ocorrer, mudará ainda mais o cenário econômico. Ninguém passaria incólume.

Como o governo pode, então, reagir a isso? O problema mais agudo é o diesel, e as medidas adotadas até aqui tiveram como foco principal a garantia do abastecimento. O governo tenta manter os preços estáveis, mas sem tabelamento direto ou intervenção agressiva na Petrobras que possa causar o efeito contrário – afastar os importadores do mercado.

A saída encontrada foi a subvenção à compra de diesel importado. Com o prolongamento do conflito, é provável que a subvenção seja ampliada; nos níveis atuais, insuficientes para cobrir a diferença entre o preço local e o internacional, a própria Petrobras terá dificuldades para importar cargas de diesel.

Para além do diesel, o governo também já observa os efeitos da crise sobre outros derivados de petróleo. Lula chamou de “bandidagem” a alta de preços do gás de cozinha após um leilão da própria Petrobras, e prometeu anular a operação; e a equipe econômica também discute como lidar com a forte alta do querosene de aviação. Esses movimentos são sinais de uma resposta mais contundente do governo à medida que a crise avança.

A vantagem do Brasil, em relação à maioria dos outros países, é que a condição de exportador de petróleo permite uma resposta mais ousada. Essa sobra de arrecadação, que pode alcançar 100 bilhões de reais nas contas do Ministério da Fazenda, também representa uma diferença importante em relação à pandemia, quando as medidas de proteção social precisaram ser adotadas com aumento do endividamento.

Com essa gordura a mais, é difícil crer que Lula assista passivamente aos efeitos da guerra. Uma escalada mais séria, com destruição de empregos em vários setores no mundo, tende a ensejar uma reação também forte no Brasil. Se o governo entrar em pânico diante da perspectiva de derrota, a intensidade da reação será ainda maior.

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