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Após estimular fake news sobre N.S. Aparecida, coordenador da Secom invoca ‘liberdade de expressão’

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BRASÍLIA – Após republicar para mais de 200 mil seguidores uma postagem que estimulava a disseminação de informações falsa sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL), o coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) George Marques da Silva e Silva recorreu ao discurso da “liberdade de expressão”.

Coordenador-geral de Estratégia e Informação da secretaria que funciona no Palácio do Planalto, Marques republicou mensagens que reclamavam de “censura” e “restrição à liberdade de expressão”.

Uma mudança no tom de perfis governistas nas redes sociais foi constada em levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX). O monitoramento de publicações sobre o “caso Nossa Senhora Aparecida”, que foi dominado por lulistas, indicou o deslocamento do debate religioso para o da censura.

A mudança se deu com mais intensidade neste sábado, 26, após o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinar que mais de 1 mil postagens fossem retiradas das redes sociais.

“Decisão do ministro André Mendonça que derruba posts de milhares de contas em todas as plataformas digitais já é considerada uma das maiores restrições à liberdade de expressão da década”, diz uma das republicações do servidor da Secom no X (antigo Twitter).

“É muito grave o que está acontecendo: um ministro do STF/TSE – indicado com o principal atributo de ser ‘terrivelmente evangélico’ – censurando opiniões legitimas de católicos e não religiosos, que não representam abuso de liberdade de expressão. Temos que erguer nossas vozes!”, diz uma outra repostagem.

Entre os compartilhamentos sobre o caso, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom também repostou publicações sobre a proibição das bets pelo governo Lula, com posicionamentos favoráveis à medida.

Coordenador da Secom republicou post sobre 'liberdade de expressão' após disseminar fake news
Coordenador da Secom republicou post sobre ‘liberdade de expressão’ após disseminar fake news

Desde a noite de quarta-feira, 23, perfis de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilham versões de uma informação que atrela Flávio Bolsonaro a um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Um projeto de 2007, do então deputado Victório Galli, de alterar trechos da lei que criou o feriado de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, pretendia trocar a expressão “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto está arquivado desde 2008.

A desinformação escalou a partir de quinta-feira, 24, quando o programa Em Pauta, da GloboNews, abordou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno de a um projeto e que isso poderia “surtir efeito, entre os católicos, a favor de Lula”. Horas depois, a emissora veiculou uma correção. “Nós pedimos desculpas pelo erro”, afirmava a nota exibida pelo canal.

Mesmo após desmentidos, o funcionário da Secom republicou texto que pedia para que não fossem divulgadas retratações sobre as informações falsas e que todos continuassem a disseminação porque elas precisavam “chegar no interior do Nordeste”.

“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”, dizia a mensagem, que depois foi apagada por ele.

Coordenador da Secom, George Marques republicou post que incentivava divulgação de informação sobre Flávio Bolsonaro
Coordenador da Secom, George Marques republicou post que incentivava divulgação de informação sobre Flávio Bolsonaro

Ao site Poder360, George Marques disse não se lembrar da republicação e que, se fez, foi por engano.

“Não me lembro de ter dado RT nesse tuíte. Eu retuitei outras coisas em sequência e, se esse acabou entrando no meio, foi por engano. Não penso isso e essa afirmação não representa minha posição. Se houve o compartilhamento, foi um erro involuntário”, disse.

O caso levou a campanha de Flávio Bolsonaro a pedir ao Ministério Público Eleitoral a prisão do servidor. Em nota, a Secom considerou o requerimento arbitrário, disse que as manifestações de George Marques foram feitas em “caráter estritamente pessoal” e também invocou o argumento da censura e do prejuízo à liberdade de expressão.

Servidor da Secom compartilhou informações falsas sobre Flávio Bolsonaro contra a Igreja Católica
Servidor da Secom compartilhou informações falsas sobre Flávio Bolsonaro contra a Igreja Católica

“O governo federal reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros e manifesta repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio, a pedido do candidato Flávio Bolsonaro”, disse.

Entre as manifestações republicadas por George Marques, uma que diz que “a igreja católica está sendo perseguida no Brasil por Flávio Bolsonaro”.

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