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CLP quer impedimento automático de advogados parentes de ministros no STF para atuar na Corte

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Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) propõe proibir a atuação de advogados parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nessas Cortes. A entidade também pressiona por um “teto constitucional efetivo” e diz que os penduricalhos e supersalários do Judiciário no País “corroem a credibilidade da Justiça”.

“O problema não é o direito de familiares exercerem profissão jurídica, mas a atuação perante Cortes nas quais o vínculo familiar pode gerar vantagem de acesso, percepção de influência ou benefício econômico indireto”, escreveu o economista Daniel Duque, do CLP, que defende “impedimento automático” dos advogados nesses casos.

Como mostrou o Estadão, 70% dos processos com a participação desses advogados foram protocolados no STF depois de os ministros tomarem posse. No STJ, ao menos 19 ministros têm 29 parentes atuando como defensores junto ao tribunal.

Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF
Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF

O caso Master, que tramita no Supremo, resvala na ligação familiar de dois ministros do tribunal: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada por R$ 129 milhões pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro trocou mensagens com Vorcaro, segundo a investigação da Polícia Federal.

Dias Toffoli, que era relator do caso Master até fevereiro passado, admitiu que é sócio e recebeu dividendos da Maridt, empresa de sua família que fez negócios milionários com um fundo de investimentos do cunhado de Vorcaro. O ministro só deixou a condução do processo após as transações virem a público.

Entidade pede ‘teto constitucional efetivo’

Outra proposta do CLP – organização suprapartidária brasileira fundada em 2008 por Luiz Felipe d’Avila – mira nos penduricalhos e nos supersalários do Judiciário no País, que segundo a entidade “corroem a credibilidade da Justiça”. Na última semana, o STF converteu o teto do funcionalismo, R$ 46 mil, em uma espécie de piso para as categorias beneficiadas, conforme especialistas.

Ao reconhecer uma série de benefícios como sendo de natureza remuneratória — dentro do teto —, a exemplo do Adicional por Tempo de Serviço (ATS), o Supremo facilita que magistrados, promotores e procuradores elevem os seus salários-base para valores próximos dos R$ 46 mil que deveriam representar o topo da carreira.

“Tornar o teto constitucional em teto real deveria ser uma medida simples. A credibilidade do Judiciário é corroída quando magistrados e membros de carreiras jurídicas recebem salários, auxílios indenizações retroativas, verbas especiais e ‘penduricalhos’ que, na prática, superam o limite remuneratório previsto pela Constituição. Quem aplica a Constituição não pode ser o primeiro a driblá-la”, conclui Daniel Duque.

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