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Verde, amarelo e azul são agora as cores do PT, que (quase) sumiu com o vermelho

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A seleção brasileira foi um fiasco na Copa do Mundo. O tradicional uniforme verde-amarelo fracassou de maneira precoce em terras americanas. A verdade, como uma anedota que circulou nas redes, é que durante muito tempo, torcedores deixaram de utilizar o uniforme tradicional da seleção nas ruas com receio de serem confundidos com bolsonaristas. Agora, os próprios bolsonaristas evitam a camisa com temor de serem vistos como torcedores.

Mas, em certo grupo de políticos, as cores da seleção continuam bastante presentes: entre os candidatos do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, principalmente para cargos majoritários. Praticamente sumiram com a tradicional estrela vermelha do partido e agora embalam suas campanhas em tonalidades, digamos, menos esquerdistas e tidas como mais nacionalistas.

Lula, Alckmin e José Guimarães com camisa da seleção brasileira em reunião em junho.
Lula, Alckmin e José Guimarães com camisa da seleção brasileira em reunião em junho.

Tome-se o caso do ex-ministro da Fazenda, candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad. Em seu avatar no Instagram, aparece com o clássico uniforme do escrete canarinho, assim como toda sua chapa com as candidatas a senadoras e o pretendente a vice. Em outra postagem, aparecem com Haddad o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin, também trajando a camisa do bolsonarista Neymar.

Trata-se de um fenômeno nacional. Tome-se o caso do governador do maior Estado governado pelo PT, a Bahia, Jerônimo Rodrigues. Utiliza-se quase sempre de azul em suas propagandas. Apareceu de verde-amarelo certa vez. O vermelho é só, às vezes, a moldura de suas publicações. A estrela rubra de seu partido desapareceu.

Em outro caso, o governador do Ceará, Elmano Freitas, candidato à reeleição, também prefere os figurinos azuis. Utilizou-se da inteligência artificial para aparecer com o uniforme tradicional da seleção em suas redes. Praticamente o único vermelho presente nas suas propagandas de rede é o vermelho da camisa do presidente Lula, em dia de visita ao Estado.

Randolfe Rodrigues (PT-AP) durante evento irregular de pré-campanha
Randolfe Rodrigues (PT-AP) durante evento irregular de pré-campanha

O governador do Piauí, Rafael Fontelles, desponta como um dos nomes mais promissores para o futuro do PT. É popular e tido como bom administrador. Ele é mais um que deixou de lado o vermelho de seu partido. Na sua página de redes sociais, veste-se do tradicional azul-marinho e nas legendas de sua postagem predomina o verde-amarelo.

Um desavisado ex-governador e atual ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, é quem aparece com uma camisa vermelha nas páginas do correligionário, assim como outro militante, mas nesse caso com a camisa do Flamengo.

No Distrito Federal, o candidato petista, Leandro Grass, trocou o vermelho por algo próximo ao lilás este mês. No avatar, traja as cores do time de Carlo Ancelotti. A estrela do PT, finalmente, aparece em uma de suas postagens, de meados de junho. A conferir qual a cor que irá prevalecer na sua campanha.

O fenômeno do sumiço do vermelho e da estrela petista é apenas um sintoma de um país em que eleitores que dizem ser de direita acabam por votar na esquerda durante as eleições. Daí a realpolitik, para se afastar do antipetismo e do que diz respeito ao fantasma do comunismo. Tudo indica que essas decisões são uma jabuticaba brasileira, incomum em outros países. O irônico é que das oito seleções classificadas para as quartas de final da Copa, seis possuem o vermelho como cores oficiais.

O movimento petista, entretanto, indica que o monopólio bolsonarista no uso da camisa verde-amarela das seleções pode estar em decadência. Queriam se apresentar como os únicos patriotas da nação. Mas, sinceramente, que vantagem traz vestir, neste momento, um uniforme que só trouxe dissabores recentes à população?

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