RIO – O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, afirmou ser “a favor de toda investigação” ao ser questionado sobre a operação contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na manhã desta quinta-feira, 7.
“Já tivemos, um pouco diferente, o Petrolão, Mensalão e eu sou favorável a toda investigação. O Brasil precisa acabar com essa impunidade que sempre existiu e que faz com que novos escândalos ocorram. Só estamos tendo Banco Master hoje, porque não houve punição adequada no passado, principalmente em relação à Lava Jato”, afirmou o ex-governador em um evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, Ciro Nogueira recebeu propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e “instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar” em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional. O senador e presidente nacional do PP foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero.
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Segundo Zema, o caso do escândalo do Banco Master “é igual a uma metástase” e que ainda há um número “muito maior” de envolvidos.
“Aquilo ali é igual uma metástase. Vai espalhando e quanto mais o cirurgião aprofundar, mais ele vai tá encontrando ali tumores. Com toda certeza é a ponta do iceberg ainda. Ainda temos celulares, notebooks, delações premiadas. Nós ainda vamos ter muitos capítulos. São apenas os primeiros capítulos de uma longa novela”, afirmou.
Atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto recentes, o ex-governador de Minas Gerais diz que as investigações do Master terão um impacto direto nas eleições de outubro deste ano.
“Vai ter muito (impacto nas eleições), como já está tendo, né? Nós estamos vendo, a cada dia, um número maior de pessoas envolvidas e muita gente tentando barrar essas investigações”, disse.
Pesquisa Genial/Quaest sobre o cenário eleitoral nos Estados divulgado nesta quarta-feira, 6, mostra que Zema não supera Lula em nenhum dos cenários estaduais avaliados. Ele registra seu melhor desempenho em Minas Gerais, que governou de 2019 a 2026.
Entre os mineiros, Zema tem 38% e Lula, 37%, com 20% de votos brancos e nulos e 5% de indecisos, configurando empate técnico. Em mais quatro Estados, Zema e Lula empatam tecnicamente, enquanto o petista o supera entre os eleitores de outros cinco locais.
Ataques a Flávio Bolsonaro
Em busca de se distanciar de uma associação com o senador Flávio Bolsonaro, que disputará o Planalto pelo PL, o mineiro reforçou as diferenças e afirmou que “ao contrário de Flávio Bolsonaro, ele ‘não tem rabo preso com ninguém”.
“Eu tenho questionado, criticado muito o Supremo. Me parece que tem muita gente do PL que tem restrição a essas críticas, porque tem coisas pendentes lá no Supremo. Eu e os parlamentares do Partido Novo não temos o rabo preso com ninguém. Nós somos um partido pequeno, mas um partido coerente, diferenciado, de quem tem ficha limpa”, afirmou Zema.

Questionado se desistiria da candidatura ao Planalto para apoiar Flávio Bolsonaro, o ex-governador de Minas evitou uma resposta definitiva, disse que ainda é “desconhecido para boa parte dos brasileiros” e que esse quadro tende a ser alterado às vésperas da eleição.
“Sou desconhecido ainda para boa parte dos brasileiros, mas a medida que eu estiver andando o Brasil, mostrando as propostas que eu tenho, tenho certeza de que esse quadro tende a ser alterado. Eu sou uma alternativa à polarização”, disse.