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Lula pede a Alcolumbre que faça ‘o possível e o impossível’ para votar o fim da escala 6×1

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BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nesta quarta-feira, 12, que faça o “possível e o impossível” para votar no Senado o fim da escala de trabalho 6×1. Após mais de três meses de rompimento com Alcolumbre, Lula afirmou a auxiliares que dará novamente um voto de confiança ao presidente do Senado, embora saiba que dificilmente o tema da jornada 6×1 consiga receber sinal verde dos senadores antes das eleições de outubro.

Lula e Alcolumbre se reuniram em café da manhã no Palácio da Alvorada, ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e da líder do governo no Senado, Teresa Leitão, para tentar acertar os ponteiros sobre a pauta de votações de interesse do Palácio do Planalto.

Logo no início da conversa, com bolo e café à mesa, Lula pediu diretamente a Alcolumbre que tirasse da gaveta a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara em maio e parada no Senado. O projeto é uma das principais bandeiras da campanha do presidente à reeleição.

Lula e Alcolumbre: conversas retomadas.
Lula e Alcolumbre: conversas retomadas.

Alcolumbre respondeu que nunca foi contra a proposta. Disse, porém, que o governo precisava “ajudar a construir” a votação porque há muitas resistências por parte do setor produtivo a dar mais um dia de folga aos trabalhadores. Além disso, afirmou não haver tempo hábil para a análise do fim da escala 6×1 antes das eleições de outubro.

“Nós vamos conversar com os aliados do governo e da oposição. A partir de agora é pé na estrada e muito diálogo, para ver como as matérias vão tramitar. Mas estou aliviado porque foi tudo destravado”, observou Guimarães, responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso. “Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula.”

Como mostrou o Estadão, o presidente está disposto a apoiar um novo mandato para Alcolumbre à frente do Senado, em 2027, se obtiver sucesso nas urnas. Para tanto, porém, cobra a “colaboração” do senador para que as pautas de interesse do governo avancem no Senado. Lula também espera que Alcolumbre declare apoio a ele, como fez o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O respaldo público dos dois maiores líderes do Congresso – que são expoentes do Centrão – é visto como fundamental pelo Planalto para isolar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na terça-feira, 11, Lula telefonou para Motta e agradeceu pela declaração de voto.

Por causa das campanhas eleitorais, o Congresso definiu dois períodos de “esforço concentrado” para votações na Câmara e no Senado. O primeiro período começou na segunda-feira e irá até o dia 14. O segundo bloco de votações ocorrerá de 31 deste mês a 3 de setembro.

Mesmo assim, Alcolumbre se comprometeu a tirar da gaveta a PEC da Segurança Pública, que prevê o envio de recursos de bets e do fundo social do pré-sal para o combate à criminalidade. Além disso, foram instaladas comissões mistas para analisar medidas provisórias que tratam do fim da “taxa das blusinhas” e de temas como crédito extraordinário para ações de defesa civil em regiões atingidas por desastres, redução das filas do INSS e mudanças no Código de Trânsito para atividades de motoboys e mototaxistas.

Outro projeto parado no Senado, que entrou na pauta do “esforço concentrado” do Congresso, é o que estabelece uma política nacional para minerais críticos e estratégicos.

A derrota de Lula durante a análise do Senado sobre a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em 29 de abril, não foi objeto da conversa desta quarta-feira no Alvorada. Foi por causa desta derrota, imposta a Lula com a ajuda de Alcolumbre, que os dois haviam rompido relações.

Lula não quer passar para a história como o primeiro chefe do Executivo a ter sua indicação para o STF rejeitada pelo Senado desde 1894, no governo de Floriano Peixoto. Até agora, ele tem dito que vai indicar novamente Messias para a Corte, após as eleições.

Há quem aposte, no entanto, que o presidente pode mudar o nome do indicado, se o Senado pós-eleição vier mais à direita e ele perceber que o seu preferido não tem chance de decolar.

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